Operação contra Ciro Nogueira atingiu pico de menções nas redes desde o início do escândalo do Master, diz levantamento
Monitoramento feito por empresa de análise digital mostra que a cada 100 mil postagens 438 mensagens citavam o parlamentar e a relação com Daniel Vorcaro


Nathalia Fruet
O conteúdo que circulou em diversas plataformas de rede social logo após a Polícia Federal cumprir mandados em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), na última quinta-feira (7), foi o assunto mais comentado desde que a fraude bilionária do Banco Master veio à tona, em novembro do ano passado.
Entre novembro de 2025 e março deste ano, o pico de postagens aconteceu em 06 de março, quando Daniel Vorcaro foi transferido para presídio federal, e o assunto atingiu 280 menções a cada 100 mil mensagens em diversas plataformas, incluindo, grupos públicos de whatsapp.
O monitoramento foi feito pela Palver, empresa de tecnologia que faz análise do debate digital. O co-fundador da empresa, Luis Fakhouri, destaca que foram 81% de menções desfavoráveis a Ciro Nogueira e a partidos da direita e centrão e apenas 19% das postagens saíram em defesa do parlamentar.
Fakhouri avalia que, neste caso, aliados de Lula que normalmente têm dificuldade no debate nas redes conseguiram emplacar a narrativa que eles queriam, apontando a relação do escândalo do Master com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas, que receberam dinheiro do banqueiro para a campanha de 2022.
O co-fundador da Palver ressalta que pelo monitoramento feito por eles o termo "Bolso Master” usado por petistas foi um dos mais mencionados nas plataformas.
Além disso, as postagens também citaram a suposta mesada, no valor de mais de R$300 mil, que a PF diz que Ciro Nogueira recebia de Vorcaro para trabalhar em projetos que beneficiassem o banqueiro como a chamada “emenda Master” que tramitou em 2024, no Senado, e previa aumentar de R$250 mil para R$1 milhão de reais o valor de cobertura do chamado Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Conforme o levantamento da Palver, a narrativa que prevaleceu nas redes foi a de apoio às investigações e de que houve corrupção. A aquisição de imóveis de luxo como um triplex de R$ 22 milhões e uma mansão de R$ 30 milhões também fez parte das postagens. Segundo Luis Fakhouri, pela repercussão nas redes está consolidada a tese de que a fraude do Master não é mais, na percepção dos internautas, um escândalo restrito ao mundo financeiro, mas também ao mundo político.
A narrativa de que Ciro Nogueira foi vítima de uma perseguição política, porque articulou a derrota do governo na indicação de Jorge Messias para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e que o que ocorreu com Daniel Vorcaro foi "mera” troca de mensagens foi mencionada em menos de 20% das postagens.
Os números explicam porque a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antecipou na semana passada a divulgação de vídeos em que o parlamentar aparece e associa o escândalo do Master ao PT da Bahia e ao ex-ministro da Casa Civil de Lula, o senador Rui Costa (PT-BA).
A repercussão nas redes também explica o vídeo publicado nesta terça-feira (12) pelo senador Ciro Nogueira em que ele nega ter recebido qualquer valor ilícito e diz que as empresas citadas pela investigação foram criadas pelo pai dele e que todo os recursos citados que passaram pelas contas dos CNPJs são legais.
O parlamentar também rebate que a chamada “emenda Master” tenha sido apresentada como indicado pelo banqueiro. Ciro Nogueira disse ainda que irá reapresentar a proposta, porque ela beneficia os clientes dos bancos e não tem dinheiro público no FGC.









