Deputado se aproveitou de contratos fraudados e usou causa animal para se beneficiar, diz PF
Ex-diretor da secretaria comandada por Marcelo Queiroz era sócio de empresa beneficiada pelo programa RJPET


Anita Prado
O deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) se associou a causa animal para se beneficiar de um suposto esquema de fraude em licitações e contratos para castração de animais ligados à Seapa (Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro), segundo a PF.
Queiroz é ex-secretário da Seapa e ocupou o cargo entre 2019 e 2022, nos governos Wilson Witzel (então no PSC) e Cláudio Castro (PL). A PF diz que identificou indícios de direcionamento, superfaturamento e fraude à licitação em contratos da Seapa com uma empresa privada de castração e esterilização de animais.
“O engajamento do político com a causa animal foi decorrente, principalmente, desses contratos fraudados, gerando votos e prestígio político", afirmou a PF.
Segundo a investigação, as fraudes estão ligadas à empresa Consuvet—Soluções em Saúde Animal, em contratos do programa estadual RJPET, de castração gratuita. Antônio Emílio Santos, diretor-geral de Administração e Finanças da Secretaria na gestão de Marcelo Queiroz, virou sócio da Consuvet dois meses após a empresa vencer a licitação. Ele atuava diretamente nos processos de contratação.
A PF sustenta que Queiroz “tinha ciência das irregularidades perpetradas no seio do órgão” e teria contribuído para manter o esquema ao assinar rapidamente aditivos milionários sem justificativas técnicas robustas.
“Entre os anos de 2021 e 2023, a Subsecretaria de Proteção e Bem-Estar Animal – RJPET celebrou 19 contratos com a empresa CONSUVET, somando um valor provisionado de R$ 193.687.125,00”, afirma a PF.
Para a polícia, o deputado contribuiu ativamente para que a secretaria fosse "dominada por uma verdadeira organização criminosa".
Outro lado
Em nota, a defesa do parlamentar disse que "a tentativa de vincular a imagem do deputado federal Marcelo Queiroz a problemas do Governo do Estado se originou com alegações infundadas no período eleitoral da sua candidatura a prefeito em 2024, quando não aceitou apoiar o candidato do ex-governador do estado do Rio de Janeiro". E que reitera "o total respeito às instituições e ao processo legal, e ressalta que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos".









