Política

O que pensa uma das únicas mulheres candidata à Presidência

Candidata da Unidade Popular, Samara Martins, destaca o protagonismo das mulheres no partido e apresenta propostas para economia, segurança pública e saúde

M
Murillo Otavio
Candidata à Presidência, Samara Martins (UP), e sua vice, Raquel Bricio (UP) - Divulgação UP

Candidata à Presidência, Samara Martins (UP), e sua vice, Raquel Bricio (UP) - Divulgação UP

“As mulheres estão à frente do partido”, afirma Samara Martins ao destacar o protagonismo feminino no partido Unidade Popular pelo Socialismo (UP). Oficializada como candidata à Presidência da República, ela integra uma chapa composta exclusivamente por mulheres e diz que essa representação busca ampliar a participação feminina na política e enfrentar problemas como o feminicídio e a desigualdade de gênero.

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Dentista do SUS (Sistema Único de Saúde), Samara tem 38 anos, é mãe de dois filhos e e já disputou a eleição presidencial de 2022 como candidata a vice-presidente na chapa de Léo Péricles, presidente nacional da Unidade Popular.

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Desde a juventude, atua em movimentos sociais e estudantis. Foi diretora de Mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE) e integrou a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (AMES-BH).

A UP lançou Raquel Brício, do Pará, como candidata a vice-presidente. Para Samara, ampliar a presença de mulheres e pessoas negras nos espaços de poder exige mudanças na legislação.

Ela defende, por exemplo, a criminalização da misoginia, a responsabilização das plataformas digitais pela divulgação de conteúdos de ódio contra mulheres e a inclusão da educação sobre igualdade de gênero nas escolas.

Samara pondera sobre as condições de equidade eleitoral no país. Ela afirma que a disputa é marcada por desigualdades entre os partidos, destacando a falta de acesso da legenda ao fundo partidário e o pouco espaço na grande mídia.

Relações internacionais e economia

Na áreas de política externa e economia, Samara defende uma atuação baseada em relações de cooperação entre os países e afirma que o Brasil deve investir na industrialização para fortalecer a economia nacional e ampliar sua soberania, e deixar de ser um mero exportador.

A candidata critica a relação do país com os Estados Unidos e afirma que o modelo atual é prejudicial ao Brasil. “Há uma política de submissão aos interesses do mercado financeiro”, diz.

Entre as propostas, ela defende a suspensão do pagamento da dívida pública como forma de ampliar os investimentos em áreas como saúde e educação, argumentando que esses setores recebem uma parcela insuficiente do orçamento federal.

Segurança

Para Samara, a segurança pública deve ser tratada principalmente por meio de políticas sociais, com investimentos em educação, saúde, moradia e geração de oportunidades. O partido entende que o problema é, em primeiro lugar, estrutural, com falta de condições básicas. Além disso, ela afirma que o aumento do encarceramento e o endurecimento das leis penais não reduziram a sensação de insegurança no país.

A candidata critica propostas como a redução da maioridade penal e defende a mobilização popular para barrar esse tipo de pauta. Como exemplo de mobilização que alterou projetos em Brasília, cita a Lei de Drogas e a Lei Anticrime.

Saúde

Na área da saúde, Samara defende o fortalecimento do SUS e afirma que o principal problema do sistema é o subfinanciamento, e não o modelo de atendimento. Na avaliação da candidata, o país dispõe de recursos suficientes, mas a distribuição do orçamento precisa ser revista.

Ela propõe uma reforma sanitária em todos os níveis de atendimento, com foco na equidade, e se posiciona contra a privatização da saúde. Segundo Samara, o acesso aos serviços de saúde deve permanecer universal e gratuito, por considerar que a saúde é um direito da população, e não uma mercadoria.

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