Novo ministro da Indústria e Comércio defende fim da escala 6x1 e descarta compensação a empresários
Em entrevista exclusiva ao SBT News, Márcio Elias Rosa chama a jornada atual de “distorção histórica” e defende manter taxa em compras internacionais




Eduardo Gayer
Amanda Klein
Hariane Bittencourt
Vicklin Moraes
O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, defendeu, em entrevista exclusiva ao SBT News, o fim da escala 6x1 sem contrapartidas fiscais aos empresários.
Lideranças do setor econômico que resistem à mudança na escala de trabalho pressionam o Congresso Nacional para, ao menos, prever compensações financeiras aos empregadores, como desonerações, ou um período de transição alargado. As medidas, porém, são rejeitadas pelo governo federal.
“Os estudiosos dizem que o impacto [do fim da escala 6x1] é mais ou menos como o do aumento real de salário mínimo. Isso é facilmente absorvido pelo setor produtivo, não tem um impacto tão severo”, declarou Elias Rosa, que sucedeu o vice-presidente Geraldo Alckmin no comando do MDIC.
Questionado sobre a pressão da indústria por subsídios em troca da mudança, foi direto: “A chance de compensação é zero”.
Responsável pela interlocução com os expoentes da indústria e do comércio do País, o ministro afirmou que é preciso haver “diálogo” com os empresários e chamou a atual jornada de trabalho de “distorção histórica que perdura há quase 40 anos”.
“Na nossa visão, justifica-se a mudança sem nenhuma adaptação. Mas o nosso campo é democrático, não é de absolutismos. A gente senta, discute, conversa, se convence e tenta convencer o outro democraticamente. É o que faremos. Aliás, é o que estamos fazendo”, declarou.
De olho na campanha à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso um projeto de lei que reduz a escala para cinco dias de trabalho e dois de descanso, totalizando no máximo 40 horas semanais e sem redução de salário.
Mas o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), tem trabalhado o tema de maneira paralela e criou, na última sexta-feira, uma comissão especial para discutir uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara já deu aval à admissibilidade da PEC.
“Taxa das blusinhas” e varejo
Ao comentar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, apelidado de “taxa das blusinhas”, o ministro defendeu a manutenção da cobrança, apesar da baixa popularidade entre consumidores. A área política do governo federal pressiona pela revogação da taxa para alavancar a campanha à reeleição de Lula.
De acordo com Márcio Elias Rosa, a medida busca proteger a indústria têxtil e o varejo nacional. Dados de 2025 apresentados pelo MDIC apontam crescimento de 5,4% nas vendas do setor e de 3,9% na geração de empregos após a implementação da regra. “Não há ainda uma orientação definitiva para mudanças, mas o MDIC se posicionou favoravelmente à manutenção para corrigir a assimetria entre o produto importado e o nacional”, disse.
Minerais críticos e soberania
Sobre a exploração de minerais críticos e terras raras, tema que gerou atritos recentes entre o governo federal e o estado de Goiás, o ministro reforçou que o subsolo pertence exclusivamente à União e voltou a descartar a criação de uma estatal neste momento com essa finalidade, como defende o PT.
“Eu não ouvi do presidente Lula uma orientação sobre o tema. Mas eu desconfio que ele também compartilha com a ideia de que agora não é hora de se discutir isso”, afirmou na entrevista.
A estratégia do governo, segundo ele, é atrair capital estrangeiro com foco na industrialização local, evitando que o Brasil atue apenas como exportador de matéria-prima bruta. O objetivo é seguir modelos internacionais, como o da Indonésia, exigindo que o refino e o processamento dos minerais sejam realizados no país.









