Política

Na ONU, Lula diz que Brasil 'não cabe no quintal de ninguém'

Presidente fez discurso criticando interferências dos EUA na América Latina e deixou recados sobre a defesa da soberania brasileira

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Presidente Lula (PT) faz discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York | Reprodução/YouTube

Presidente Lula (PT) faz discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York | Reprodução/YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou recados aos Estados Unidos ao falar nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O discurso foi calibrado como contraponto ao de Donald Trump, que fala na sequência.

Lula destacou que o Brasil acompanha o “recrudescimento de tentações hegemônicas” no continente americano, citando a busca por recursos estratégicos, em referência a minerais críticos e terras raras, e ingerências de outros países nas eleições.

“A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém. [...] Voltamos a presenciar a interferência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influências. Investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos", criticou.
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O discurso foi de duras críticas ao "imobilismo" do Conselho de Segurança e dos "crescentes desmandos das superpotências". Para Lula, ao prever o direito de veto dos cinco membros permanentes (além dos EUA, também Reino Unido, França, China e Rússia), a Carta da ONU trouxe um "vício de origem" que permitiu o "privilégio da insensatez".

Logo no início da fala, Lula destacou que o discurso foi o seu décimo à frente da Assembeia Geral, mas que os impasses diplomáticos e as guerras pelo mundo demonstram que a conjuntura atual é a mais desafiadora vivida pela ONU desde que virou presidente pela primeira vez, em 2003.

"Esse é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa", afirmou.

Para o presidente, o momento agora é de optar pelo "multilateralismo e o unilateralismo", a "democracia e o extremismo" e a "soberania ou subordinação".

Lula também voltou a dizer que entregou a Trump um plano de atuação conjunta contra o crime organizado com base no controle do fluxo de armamentos e dinheiro entre os países. O ponto é delicado na relação entre o Planalto e a Casa Branca desde que o governo americano classificou o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, o que abriu margem para uma ação militar mais incisiva no país.

Nos últimos dias, o Brasil passou também a monitorar a chegada de aeronaves americanas para combater organizações criminosas em países como Equador e Colômbia, que integram a iniciativa "Escudo das Américas", capitaneada pelos EUA.

"Não precisamos de porta-aviões vigiando as nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos", afirmou.

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