Ministro desiste de candidatura e vai articular palanque duplo para Lula em Pernambuco
Dentro do governo, André de Paula buscará aproximar o presidente da governadora Raquel Lyra (PSD)


Eduardo Gayer
O ministro da Pesca, André de Paula (PSD-PE), avisou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que desistiu de concorrer à Câmara dos Deputados e, por isso, permanecerá no governo federal até o final do ano. Com assento na Esplanada, ele vai tentar convencer o PT a formar um palanque duplo em Pernambuco, sem tomar lado na disputa pelo comando do Estado entre Raquel Lyra (PSD), pré-candidata à reeleição, e João Campos (PSB), prefeito do Recife.
O PSB busca o apoio exclusivo de Lula em solo pernambucano. Nos bastidores, porém, o presidente avalia que não pode prescindir do eleitorado da governadora, que liberaria sua base na eleição nacional caso o PT feche apenas com João Campos. O martelo pela neutralidade ainda não foi batido porque Lula monitora possíveis desgastes na relação política com o PSB se adotar a estratégia.
Com a possibilidade de um acordo à mesa, o ministro da Pesca pretende intensificar, nos próximos meses, os laços entre Raquel Lyra e o Palácio do Planalto. Hoje, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, é um dos auxiliares de Lula que defendem o desenho de palanque duplo em Pernambuco.
André de Paula deve ser o único dos três ministros do PSD que não deixará o cargo para disputar as eleições. Carlos Fávaro (Agricultura) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) devem se desincompatibilizar para concorrer ao Senado.
A permanência do ministro da Pesca no governo federal é defendida pela bancada do PSD, que teme perder espaço na reforma ministerial esperada para abril. Uma ala da sigla defende, inclusive, que ele seja transferido para a pasta da Agricultura, considerando que o secretário-executivo de Fávaro, Irajá Lacerda (PSD), também deixará o cargo para disputar uma vaga na Câmara e não poderá ser confirmado ministro.









