Política

Ministro da AGU avalia que tarifa dos EUA sobre Brasil tem big techs como motivação principal

Para Jorge Messias, as big techs "são atualmente a grande arma que os EUA têm para impor sua vontade sobre outros países"

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SBT News, com informações da Reuters
16/07/2025, 16:22 • Atualizado em 16/07/2025, 16:22
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O advogado-geral da União, Jorge Messias | Agência Brasil

O advogado-geral da União, Jorge Messias | Agência Brasil

O advogado-geral da União, Jorge Messias, disse nesta quarta-feira (16) que avalia que a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em taxar produtos brasileiros em 50% a partir de 1º de agosto tem como motivação principal o "medo" de que o Brasil avance em legislações para regular as big techs.

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Messias ainda afirmou que as big techs são atualmente a grande arma que os EUA têm para impor sua vontade sobre outros países. Ele fez a avaliação de que o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro é uma questão "menor" para Trump.

"Nós suspeitamos que isso (processo de Bolsonaro) seja algo absolutamente menor para ele (Trump)", disse, em entrevista ao portal Metrópoles.

"Eu tenho uma avaliação muito própria de que o grande motivador dessa reação do presidente Trump tem nome e sobrenome, para mim são as big techs. Hoje a grande arma de guerra que os Estados Unidos têm para impor suas vontades a outros países é esse instrumento das big techs. As grandes big techs hoje são empresas com capital e controle norte-americanos e querem impor a sua agenda aos outros países", avaliou.

Na carta em que anunciou as tarifas, Trump mencionou o processo judicial contra Bolsonaro e medidas judiciais que avalia como injustas em relação às big techs como razões para sua decisão. O documento veio depois de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ampliar o rol de obrigações das big techs com atuação no Brasil na remoção de conteúdos considerados ilícitos.

"Eles temem que o Brasil avance em sua defesa democrática e estabeleça marcos civilizatórios para limitar a ação dessas big techs", disse Messias.

"Aqui conosco não tem vez. Se quiser sentar e dialogar conosco é olho no olho. Não vai ter interferência externa para achar que big tech vai mandar aqui, porque big tech não manda no Brasil", afirmou.

Messias fez ainda avaliação de que o governo norte-americano lançou uma investigação formal sobre práticas comerciais supostamente desleais do Brasil pois Trump teria compreendido que seu argumento para a imposição de tarifas ao Brasil "é frágil, não tem sustentação fática".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado que buscará negociar para evitar a concretização da imposição de tarifas e delegou ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a liderança nas negociações. Alckmin tem se reunido com empresários e representantes do setor produtivo para tratar do tema.

Lula tem afirmado também que, caso não seja possível evitar as tarifas de Trump na mesa de negociação, recorrerá à reciprocidade para responder à taxação norte-americana.

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