Política

Messias cita Darcy Ribeiro em post sobre a recusa ao STF: "Detestaria estar no lugar de quem me venceu"

Advogado-geral da União foi barrado pelo Senado na quarta (29) em derrota que não acontecia há mais de um século

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Jorge Messias e Darcy Ribeiro (1922-1997) | Reprodução

Derrotado no processo para chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, voltou a usar as redes sociais na noite dessa quinta-feira (30) para lamentar o revés inédito na história moderna do país. Ele citou um discurso do antropólogo e político Darcy Ribeiro (1922-1997) feito na Universidade Sorbonne, em Paris, ao receber o título de Doutor Honoris Causa em 1978.

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"Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu", publicou no X (ex-Twitter).

Na manhã de quinta, Messias já havia recorrido às redes para citar um versículo bíblico presente na passagem do capítulo 3 do livro de Salmos, atribuído ao rei Davi. O advogado-geral é evangélico ligado à Igreja Batista. "Deitei-me e dormi; acordei em segurança, pois o SENHOR me guardava. Não tenho medo de dez mil inimigos que me cercam de todos os lados".

Darcy Ribeiro foi um dos idealizadores da criação da Universidade de Brasília (UnB), cujo campus principal recebe seu nome, enquanto ministro da Educação em 1962, além de criar os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) no primeiro governo de Leonel Brizola no Rio (1983-1987).

Na política, foi senador pelo Rio (1991-1997) e concomitantemente vice-governador e secretário da Educação de Brizola. Perseguido pela ditadura, passou por períodos de exílio na Venezuela, Uruguai, Chile e Peru durante as décadas de 1960 e 1970.

Também se notabilizou como um dos principais indigenistas do país e esteve ao lado do marechal Cândido Rondon (1865-1958) no Serviço de Proteção aos Índios (SPI), precursor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

É autor de obras clássicas da sociologia e antropologia brasileira, como "A Universidade Necessária" (1969), "Os Índios e a Civilização - A Integração dos Indígenas no Brasil Moderno" (1970) e o "O Povo Brasileiro - a Formação e o Sentido do Brasil" (1985), tido como sua obra de maior influência.

Foi eleito para ocupar a cadeira de nº 11 da Academia Brasileira de Letras, em 1992. Morreu cinco anos depois, aos 74 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos decorrente de um câncer generalizado.

Situação de Messias

incerteza sobre qual o destino de Messias depois da derrota. Como mostrou o SBT News, ele tem dito a pessoas próximas que seu ciclo no governo "está no fim" e que poderia deixar a Advocacia-Geral da União (AGU).

Uma possibilidade aventada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é alocá-lo no Ministério da Justiça e Segurança Pública diante da falta de entregas do atual ministro, Wellington César Lima e Silva.

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