Política

Marcola: empréstimo com amiga de Lulinha foi de R$ 249 mil

Ex-chefe de gabinete de Lula disse ter colocado sigilo bancário à disposição da Justiça após confirmar transação com Roberta Luchsinger, investigada no INSS

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Victor Schneider
Marco Aurélio Ribeiro deixou a chefia de gabinete de Lula em julho para entrar na campanha à reeleição | Reprodução

Marco Aurélio Ribeiro deixou a chefia de gabinete de Lula em julho para entrar na campanha à reeleição | Reprodução

Ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o assessor Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, disse em nota que o empréstimo realizado junto à empresária Roberta Luchsinger, investigada no escândalo do INSS, somou R$ 249 mil em natureza “estritamente privada" e sem envolvimento com o Palácio do Planalto.

Marcola já havia admitido anteriormente que a operação se tratava de um “empréstimo pessoal e já quitado", mas não falava em valores e segue sem confirmar a data da operação.

Segundo o assessor, informações sobre seu sigilo bancário e fiscal foram entregues à Justiça e um advogado foi apontado para esclarecer a situação às autoridades. Até o momento, nenhuma investigação foi aberta contra Marcola.

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“Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência. A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça", disse o assessor.

A transferência do montante de Luchsinger para o auxiliar do presidente da República foi revelada pelo jornal digital Poder360 e confirmada pelo SBT News.

A nota cumpre uma orientação do Planalto: de que a melhor estratégia é responder ao episódio com transparência e rapidez, sem ampliar a repercussão do assunto e enterrando a crise antes de contaminar a campanha de Lula.

Marcola deixou a chefia de gabinete no último dia 22 para trabalhar na campanha à reeleição de Lula.

Credora do empréstimo, Roberta Luchsinger é alvo da PF por suspeita de ter atuado na movimentação de recursos na fraude do INSS. A empresária também teria sido responsável por aproximar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS", de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, investigado em três inquéritos por tráfico de influência.

A defesa de Lulinha confirma que o empresário é amigo pessoal de Luschinger, mas que a relação com o “Careca do INSS” foi pontual e restrita a uma oferta de negócios envolvendo remédios à base de cannabis.

Roberta Luchsinger foi alvo da PF em uma das fases da operação Sem Desconto, em dezembro de 2025, após a corporação identificar que ela teria recebido R$ 1,5 milhão do "Careca do INSS". A corporação apontou indícios de que a empresaria teria atuado como intermediária para conectá-lo a Lulinha, que atuaria como sócio oculto do lobista.

Há menção a um pagamento de R$ 300 mil do “Careca” ao “filho do rapaz", que a investigação da PF acreditava ser Lulinha. A defesa do empresário, porém, nega qualquer relação de seu cliente com as fraudes no INSS e diz que a investigação não conseguiu comprovar repasses indevidos ou qualquer prova de atuação ilícita de seu cliente na Previdência.

Em 14 de julho, a PF deixou Lulinha e Roberta Luschinger de fora do pedido de indiciamento de 48 pessoas, dentre as quais o “Careca", em um dos inquéritos da Operação Sem Desconto.

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