Lula usa assessor de Trump para tentar retomar popularidade alcançada durante tarifaço
Presidente anunciou o cancelamento do visto de Darren Bettie enquanto o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, seguir proibido de entrar nos EUA


Nathalia Fruet
Fontes do Itamaraty, ouvidas pela coluna, afirmam que a justificativa para barrar Darren Bettie de entrar no Brasil foi diplomática, no entanto, o motivo principal é político. Assessores do presidente Lula (PT) viram no embate com o governo norte-americano um bom momento para retomar o discurso da soberania, já que há uma clara estratégia de Trump de criar constrangimento para o governo brasileiro ao forçar o debate sobre transformar facções criminosas que agem no Brasil, como PCC e CV, em organizações terroristas.
A avaliação no Itamaraty é que, de novo, como ocorreu no início do ano passado, o presidente Donald Trump tenta criar uma cilada para o governo brasileiro aconselhado pela ala mais radical da Casa Branca. Por isso, a ordem no Planalto é usar a postura dos norte-americanos a favor de Lula como ocorreu em 2025, quando o mandatário dos EUA anunciou o tarifaço e estava irredutível em querer negociar.
A estratégia norte-americana ajudou o presidente Lula a se recuperar e estancar a queda nas pesquisas sobre a aprovação do terceiro mandato e nas pesquisas de intenção de voto. Os diplomatas ouvidos pela coluna relembram que a condição era parecida, porque Lula começou 2025 com os levantamentos desfavoráveis e começa a se recuperar a partir de julho quando foi para o embate com Trump e depois se encontrou com o norte-americano.
Nesta sexta-feira (13), Lula disse em um evento no Rio de Janeiro, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que proibiu "aquele cara que vinha visitar o Jair Bolsonaro (PL)" de entrar no Brasil enquanto não liberarem os vistos de Padilha, da filha e da esposa do ministro. Ele teve a entrada barrada nos EUA em agosto do ano passado.
O Itamaraty anunciou a revogação do visto de Darren Beattie, assessor do segundo escalão de Trump, usando o princípio adotado internacionalmente, inclusive pelos americanos, de reciprocidade. Diante desse cenário de acirramento, a viagem de Lula aos EUA adiada para o fim deste mês ou início de abril está sem data para acontecer.










