Política

Lula se reúne com empresários em meio à tensão com EUA

Governo norte-americano prevê taxar produtos nacionais em 37,5%; entenda

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Camila Stucaluc
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Ricardo Stuckert

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, nesta quarta-feira (10), da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, conhecido como "Conselhão". Este é o sétimo encontro do grupo, que reúne empresários de diversos setores da economia, recriado em 2023.

Marcada para ocorrer às 11h no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, a reunião acontece em meio à nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. As taxas propostas pelo governo norte-americano podem chegar a 37,5%.

Esse percentual foi alcançado após Washington anunciar uma tarifa de importação adicional de 12,5% contra 59 países acusados de produzir itens com trabalho escravo, incluindo o Brasil. Dias antes, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) já havia informado a intenção de aplicar imposto de 25% contra os produtos brasileiros.

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No último caso, Washington acusou o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas “irracionais” e prejudiciais ao comércio norte-americano. Alegou, ainda, que o país falhou na aplicação de leis anticorrupção e em manter tarifas consideradas injustas.

Veja os seis pontos principais questionados pelos EUA

  • Comércio digital e serviços de pagamento: os Estados Unidos alegam que decisões da Justiça brasileira contra plataformas americanas de redes sociais restringem atividades dessas empresas e afetam a liberdade de operação no país. O relatório também critica políticas que, segundo o governo americano, favorecem concorrentes locais em serviços de pagamento eletrônico, como o Pix.
  • Tarifas preferenciais: o USTR afirma que acordos comerciais do Brasil com México e Índia concedem vantagens tarifárias a produtos desses países em setores considerados estratégicos.
  • Combate à corrupção: o documento sustenta que o Brasil não adota medidas suficientes para prevenir e combater casos de suborno e corrupção.
  • Propriedade intelectual: os Estados Unidos apontam falhas no combate à pirataria e à falsificação de produtos, além de demora na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico.
  • Mercado de etanol: segundo o relatório, o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário equivalente ao etanol americano desde 2017, o que teria reduzido o acesso do produto dos EUA ao mercado brasileiro.
  • Desmatamento ilegal: o governo americano reconhece que o Brasil possui legislação para combater o desmatamento ilegal, mas afirma que a aplicação das normas não tem sido suficientemente eficaz para conter o problema.

Com as exceções que foram colocadas pelos próprios americanos para não impactar a inflação local, como frutas, café ou aeronaves, 21% dos produtos brasileiros estarão sujeitos à tarifa de 25% caso seja efetivamente implementada. A decisão deve ser feita até julho, quando o USTR concluirá as audiências públicas sobre o tema.

Cenário similar ao de 2025

Ao ameaçar aplicar 37,5% de sobretaxa ao Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, praticamente recompõe o tarifaço anterior contra o país, aplicado em 2025. Naquele ano, os impostos chegaram a 50%, o que levou o Brasil a buscar por novos parceiros comerciais.

No final do ano, Washington chegou a recuar em parte do tarifaço, retirando o imposto sobre produtos como café, banana e carne bovina. Já em fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana derrubou a taxação, alegando que Trump exerce a autoridade como presidente ao usar a lei de 1977, destinada a emergências nacionais, para aplicar o imposto.

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