Política

Lula lamenta morte de Mino Carta: "referência para o jornalismo brasileiro"

Presidente declarou três dias de luto oficial em todo o país; fundador da Carta Capital morreu nesta terça (2), aos 91 anos

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Emanuelle Menezes
02/09/2025, 15:35 • Atualizado em 02/09/2025, 15:35
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Presidente Lula em encontro com Mino Carta, em junho de 2024, em São Paulo | Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula em encontro com Mino Carta, em junho de 2024, em São Paulo | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a morte do jornalista Mino Carta, ocorrida na madrugada desta terça-feira (2), e declarou luto oficial de três dias em todo o país. Em um texto nas redes sociais, o petista lembrou sua amizade com o fundador da Carta Capital e afirmou que ele "mostrou que a imprensa livre e a democracia andam de mãos dadas".

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Mino Carta morreu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado há duas semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo a Carta Capital, o jornalista de 91 anos "lutava contra os problemas de saúde, em idas-e-vindas do hospital".

"Conheci Mino há quase cinquenta anos, quando ele, pela primeira vez, deu destaque nas revistas semanais para as lutas que nós, trabalhadores reunidos no movimento sindical, estávamos fazendo por melhores condições de vida, por justiça social e democracia", escreveu Lula. Mino foi o primeiro a publicar, em 1978, uma grande entrevista com o então líder sindical, na revista IstoÉ.

O presidente afirmou que as publicações lideradas pelo jornalista denunciaram o autoritarismo da ditadura militar (1964-1985) e que Mino Carta é "uma referência para o jornalismo brasileiro por sua coragem, espírito crítico e compromisso com um país justo e igualitário para todos os brasileiros e brasileiras".

Quem é Mino Carta

Nascido em Gênova, na Itália, Mino Carta veio para o Brasil após o término da 2ª Guerra Mundial. O jornalismo era uma tradição familiar, iniciada pelo avô materno Luigi Becherucci, que perdeu o cargo de diretor do jornal Caffaro em meio à perseguição do regime de Benito Mussolini.

Seu pai, Giannino, foi preso em 1944 por se opor ao regime fascista de Benito Mussolini e fugiu em uma revolta de carcereiros. Ele veio com os filhos para o Brasil, após a 2ª Guerra, para dirigir a Folha de S. Paulo, mas, ao chegar, descobriu que o emprego não existia mais.

A primeira experiência de Mino Carta no jornalismo veio quando ele tinha 16 anos. O pai recebeu encomendas de artigos sobre a Copa do Mundo no Brasil, em 1950, de dois jornais italianos, mas como não gostava de futebol, pediu ao filho que escrevesse os textos em seu lugar.

"Como pagavam bem, eu topei, pensando em mandar fazer um terno azul-marinho em um bom alfaiate, que eu tanto desejava para participar dignamente dos bailes de sábado. A partir daí, percebi que a felicidade não era tão cara e podia ser alcançada escrevendo", contou em uma entrevista em 2008.
O jornalista Mino Carta | Divulgação/Carta Capital
O jornalista Mino Carta | Divulgação/Carta Capital

Mino abandonou o curso de Direito em São Paulo, em 1956, e retornou para a Itália, onde trabalhou na Gazetta del Popolo e como correspondente dos jornais brasileiros Diário de Notícias e Mundo Ilustrado. A família Carta retornou ao Brasil quando Giannino assumiu a editoria internacional do jornal Estado de S. Paulo.

Aos 27 anos, Mino Carta aceitou um convite de Victor Civita, fundador da editora Abril, para dirigir a revista Quatro Rodas. Participou ainda das criações das revistas Veja (1968), IstoÉ (1976) e Carta Capital, em 1994. Além das revistas, fez parte da equipe que criou o Jornal da Tarde, em 1966, e fundou o Jornal da República, em 1979, ao lado de Cláudio Abramo.

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