Política

Lula diz que Venezuela de Maduro não é uma ditadura, mas regime "desagradável" e "governo com viés autoritário"

No Rio Grande do Sul para entregas do governo federal, presidente falou novamente sobre crise no país vizinho

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Raphael Felice
16/08/2024, 13:38 • Atualizado em 17/08/2024, 00:11
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Lula e Maduro | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Lula e Maduro | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (16), que o regime do presidente Nicolás Maduro na Venezuela não se trata de uma ditadura, mas um "governo de viés autoritário".

Em entrevista à Rádio Gaúcha, em Porto Alegre, Lula voltou a dizer que só reconhece a vitória de Maduro ou da oposição caso sejam divulgadas as atas eleitorais, com os dados comprobatórios do resultado.

O presidente vem falando sobre o assunto ao longo da semana e chegou a propor, nessa quinta (15), a realização de novas eleições. A sugestão, no entanto, não foi bem recebida por Maduro.

"Eu acho que a Venezuela vive um regime muito desagradável. Não acho que é ditadura, é diferente de ditadura. É um governo com viés autoritário, mas não é uma ditadura como tantas que conhecemos neste mundo", disse Lula, sem explicar as diferenças entre os dois modelos de governo.

Apesar de algumas ressalvas a Maduro, ele também defendeu o diálogo com o presidente venezuelano. Segundo Lula, a União Europeia e os Estados Unidos também cometeram um erro político ao reconhecer, há alguns anos, o autoproclamado Juan Guaidó como presidente da Venezuela.

"A União Europeia, os Estados Unidos não agiram corretamente com a Venezuela, ou seja, eles elegeram um tal de Guaidó para ser presidente da Venezuela, só para você ter ideia a dimensão do absurdo. A reserva de ouro que a Venezuela tinha na Inglaterra, de 31 toneladas de ouro, foi dada sob a guarda desse Guaidó. Ele não era presidente da República, então eu acho que houve uma precipitação na punição e no julgamento das coisas", disse o presidente.

Lula também falou sobre Maduro não querer aceitar observadores. Petista afirmou que a postura do venezuelano era "ruim só para ele". Ainda revelou que a Venezuela não queria deixar o Brasil enviar o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, para acompanhar o pleito no país.

"Quando o Celso Amorim ia viajar para a Venezuela, eu fui informado que eles tinham pedido para ele ir à Venezuela. Então, eu mandei comunicar a eles que se o Celso Amorim não pudesse ir à Venezuela, eu ia comunicar à imprensa que eles estavam impedindo ele de ir", disse.

Lula também afirmou que considera a Venezuela um país "interessante" para o Brasil. "Temos quilômetros de fronteiras, é país que o Brasil chegou a ter quase US$ 5 bilhões de superávit comercial [na relação entre países]", disse.

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