Política

Lula diz que CNJ virou “corporação” para blindar Judiciário

Em evento para sancionar projetos em defesa da mulher, presidente sugeriu ampla reforma e criticou atuação de conselhos criados em seu primeiro mandato

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Victor Schneider
Lula durante evento nesta quarta (29) no Palácio do Planalto | Reprodução

Lula durante evento nesta quarta (29) no Palácio do Planalto | Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas nesta quarta-feira (29) ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), dois órgãos criados em 2004, ainda no seu primeiro mandato.

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Em evento no Palácio do Planalto para sancionar projetos em defesa das mulheres, Lula disse que os conselhos assumiram posição corporativista ao invés de fiscalizadora e simbolizam a necessidade de uma ampla reforma institucional que abrace o Judiciário e também os demais poderes da República.

“Quando nós criamos o CNJ, eu imaginei que a gente estava fazendo uma revolução. A verdade é que nós fizemos muito pouco, porque ficou uma corporação tomando conta da corporação. Quando a gente criou o CNMP também”, avaliou.

A declaração foi feita em frente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que está no comando da Corte durante o recesso do ministro Edson Fachin e, por conseguinte, também preside o CNJ no momento.

Ambos os conselhos têm como função fiscalizar a atuação administrativa e financeira de juízes e procuradores, respectivamente. São de sua responsabilidade a criação de planos de otimização do processo jurídico, a edição de resoluções normativas, balanços estatísticos, inspeções a comarcas e o julgamento de eventuais condutas que infrinjam as leis orgânicas da magistratura e do Ministério Público.

Ficou em evidência recentemente as resoluções emitidas criando regras para o pagamento de verbas de natureza indenizatória, os chamados penduricalhos, em conformidade com a determinação do Supremo Tribunal Federal.

Pacto contra o Feminicídio

Nesta quarta, Lula sancionou quatro iniciativas dentro dos esforços do Pacto Nacional Contra o Feminicídio, lançado no início do ano:

  • Pix Pensão: de autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), o PL 4978/2023 automatiza o pagamento da pensão alimentícia por Pix com o objetivo de reduzir a inadimplência e evitar que beneficiários precisem recorrer à Justiça sempre que houver atraso;
  • Ligue 180: de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), o PL 4.300/2025 obriga o governo Lula (PT) a divulgar em canais oficiais o serviço telefônico Ligue 180, voltado a denúncias de violência contra a mulher;
  • Mulher Segura: decreto que cria o Centro Integrado Mulher Segura, que aumenta o grau de resposta interfederativa a casos de violência, com compartilhamento de dados e coordenação entre estados e União;
  • Tornozeleira a agressores: Lula também regulamentou a Lei 15.383/2026, que obriga agressores a usarem tornozeleira eletrônica e cumprirem medidas de distanciamento imediatamente após o registro de um caso de violência doméstica.

Lula avaliou que o enfoque no feminicídio é parte de um pacote mais amplo de ajustes institucionais que pretende fazer caso seja reeleito. O PT tem como bandeira uma reforma do Judiciário, tese que encontra resistência interna entre parte dos ministros.

“Nós vamos ter que fazer novas reformas em todas as instituições para conseguir o tipo de sociedade que nós todos queremos ter. E a gente vai ter que mudar o comportamento do Congresso, do Judiciário, do Executivo, da polícia. E o que vocês estão fazendo é criar novos mecanismos para que as mulheres fiquem mais exigentes e mais protegidas, e os homens aprendam que é possível e necessário criar juízo e não achar que a mulher é um objeto dele que pode fazer o que quiser”.

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