Lula diz estar “extremamente preocupado com o que está acontecendo no mundo” em discurso na Celac
Sem citar diretamente os EUA, presidente criticou ações contra Cuba e Venezuela e defendeu a autonomia e soberania da América Latina


Jessica Cardoso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (21), durante a 10ª Conferência da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que está “extremamente preocupado com o que está acontecendo no mundo de hoje”.
Em seu discurso, o petista destacou que o mundo vive “a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial” e criticou a passividade da comunidade internacional frente a crises humanitárias.
“Temos insistido que é preciso parar e refletir sobre o nosso comportamento. Não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, afirmou enfatizando sobre a necessidade dos países latino-americanos manterem autonomia.
Lula voltou a questionar o papel do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que seus membros permanentes, criados para manter a paz, acabam “fazendo as guerras”. Ele citou conflitos na Faixa de Gaza, Iraque, Líbia, Ucrânia e Irã como exemplos da falha da instituição multilateral.
“Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que que não se renova? Por que não se coloca mais países? [...] Eu estou como ser humano, como democrata, como presidente do Brasil, indignado com a passividade dos membros de Segurança”, declarou.
Sem citar diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, Lula também criticou as ações norte-americanas em Cuba e Venezuela.
“Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora. O que fizeram com a Venezuela. Isso é democrático? Em que parágrafo, em que artigo da Carta da ONU está dito que um presidente de um país pode invadir o outro?”, questionou.
O presidente falou ainda sobre a exploração de minerais críticos e terras raras na América Latina, afirmando que há uma tentativa externa de controlar esses recursos.
“Agora, eles querem ser donos dos minerais críticos e das terras raras que nós temos. [...] É a chance da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles. Ou seja, quem quiser que venha se instalar e produzir no país para que a gente tenha chance de desenvolver os nossos países”, afirmou.









