Lula chega à Colômbia para cúpula da Celac e fórum com países africanos
Encontro acontece com baixa adesão de líderes, em meio à tensões e pressões externas na região


Camila Stucaluc
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Bogotá, na Colômbia, onde participará da 10ª conferência da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) neste sábado (21). A reunião visa reforçar a cooperação entre os países da região.
Neste ano, o evento conta com uma baixa adesão de líderes. Dos 33 países da região, apenas três chefes de Estado confirmaram presença, além de Lula, que participa de todos os eventos do grupo desde 2023. São eles: os presidentes do Uruguai, Yamandú Orsi, e da Colômbia, Gustavo Petro, e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Godwin Friday.
Isso porque a cúpula acontece em meio à tensões na América Latina, com a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que culminou na captura do ditador Nicolás Maduro, e com os apagões em Cuba, provocados pelo bloqueio norte-americano do fornecimento de combustível ao país. Por isso, para o Brasil, o evento visa enviar uma mensagem de resistência às grandes potências.
Segundo o Planalto, em seu discurso, Lula deve criticar interferências externas e reiterar que a América Latina é uma zona de paz. Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o petista pretende ecoar as preocupações do Brasil com ataques à independência de nações soberanas, como o ocorrido em Caracas.
Além da cúpula, Lula participa da primeira Celac‑África, que marca a retomada do diálogo político e econômico entre as duas regiões. O fórum será precedido por debates entre especialistas das duas regiões com discussões sobre temas como saúde, agricultura, energia e segurança. O objetivo é reforçar a cooperação entre países do chamado Sul Global, em meio ao aumento das disputas geopolíticas no mundo.
“Há uma dimensão muito importante da Celac, que é a do diálogo externo. É nesse contexto que se insere o diálogo com a África. A Celac mantém um diálogo estruturado com a União Europeia, com a realização de uma cúpula a cada dois anos e, no intervalo, dezenas de atividades e programas”, disse a secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan.









