Política

Lula aciona TSE contra "distorção" sobre "toque em mulheres"

Campanha do petista diz que fala do presidente da República foi retirada de contexto e sexualizada nas redes sociais

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Vicklin Moraes
O presidente Lula | Ricardo Stuckert

O presidente Lula | Ricardo Stuckert

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou nesta terça-feira (29) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a remoção de publicações que, segundo a equipe jurídica, divulgam desinformação e distorcem uma fala do petista sobre exames médicos preventivos. O caso envolve trechos de um discurso feito por Lula durante um comício em Belém (PA).

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Na ocasião, o presidente falava sobre a resistência de homens em realizar exames para a detecção precoce do câncer de próstata e comparou os cuidados com a saúde masculina à rotina de exames preventivos das mulheres.

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"O homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta, ele não gosta de toque. Sabe, as mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena. O homem não. Ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele", declarou Lula.

Segundo a campanha, trechos da fala passaram a circular nas redes sociais fora do contexto original, com interpretações de cunho sexual. A equipe jurídica afirma que as publicações omitem que o presidente tratava de prevenção e cuidados de saúde.

Campanha fala em distorção

A advogada Maíra Recchia, integrante da equipe jurídica da campanha de Lula, afirmou que a ação no TSE busca impedir a circulação do conteúdo que, segundo ela, atribui outro sentido à declaração do presidente. Recchia também criticou a interpretação dada às referências feitas por Lula ao exame de toque.

"Quando se falou de homens, o toque foi imediatamente compreendido no campo da saúde, da prevenção. Já quando a referência passou a ser as mulheres e as meninas, tentou-se deslocar com o olhar machista e deturpado a mesma palavra para o campo sexual", disse.

A advogada afirmou ainda que a campanha considera que esse tipo de conteúdo pode reforçar tabus relacionados à saúde das mulheres.

"Existe também um enorme perigo nessa narrativa, porque ela transforma justamente o cuidado com a saúde de meninas, adolescentes e mulheres em motivo de escândalo. Sexualizar esse debate presta um desserviço à própria sociedade, porque reforça tabus que historicamente dificultam o acesso das mulheres à informação e aos serviços de saúde", declarou.

A campanha pede à Justiça Eleitoral a remoção das publicações e a responsabilização dos autores do conteúdo.

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