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Juscelino terá reunião decisiva com Lula, mas fragilidade do governo na Câmara pode frear demissão

Ministro das Comunicações tem apoio do União Brasil com quem Lula deve negociar troca no comando da pasta

Juscelino terá reunião decisiva com Lula, mas fragilidade do governo na Câmara pode frear demissão
Juscelino encontra Lula para explicar denúncias de irregularidades em diárias
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Indiciado por corrupção pela Polícia Federal, Juscelino Filho (União Brasil) viverá uma semana decisiva sobre a sua permanência à frente do Ministério das Comunicações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta ao Brasil neste domingo (16) após cumprir agendas na Europa e já afirmou que deve ter "uma conversa franca" com o quadro já no começo da semana para conversar sobre o caso.

“Fiquei sabendo ontem (do indiciamento) e não tem essa pressa. Quando eu voltar vou sentar e descobrir o que aconteceu de verdade em conversa franca com ele. Digo a todo mundo 'só você sabe a verdade'. Se cometeu o erro reconheça. Se não, brigue pela sua inocência", disse Lula em entrevista coletiva após participar de um fórum da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra.

Fontes do Palácio do Planalto e especialistas ouvidos pelo SBT News apontam que a falta de pressa de Lula está ligada à base aliada insuficiente na Câmara dos Deputados. Como explica o cientista político Valdir Pucci, o cenário de Juscelino Filho é delicado e desgastante para o governo federal, mas a fragilidade do governo no Congresso Nacional pode, no mínimo, atrasar uma eventual saída do ministro das Comunicações.

“Quando ele foi denunciado por corrupção, ele entra em uma categoria que fica até muito difícil para o governo sustentá-lo, só que a gente tem que lembrar que não estamos numa situação de condições normais de temperatura e pressão. Em qualquer outra situação, o ministro Juscelino já teria caído, no mínimo teria pedido para sair do cargo que ocupa, mas nós temos uma situação em que o governo Lula está muito fragilizado junto à Câmara dos Deputados. Na pauta de costumes, em especial, ele tem sofrido derrotas significativas”, disse o professor em ciência política.

Pucci explica ainda que as alianças com União Brasil, PSD e MDB ao vencer as eleições de 2022 e posteriormente a reforma ministerial, em 2023, com a entrada de Republicanos e PP não deram ao governo estabilidade dentro da Câmara. Para o especialista, a saída de Juscelino Filho dependerá mais do União Brasil do que da vontade do presidente Lula.

“Vai caber uma articulação entre presidente com o União Brasil para que o próprio partido aceite a saída de Juscelino”, disse o especialista. “O que seria até para o partido diante da situação a melhor solução, de tirar do governo e se provar a inocência, retorna. Caso não prove, não retorna mais e reduz o desgaste do governo, mas não será nesse caso uma vontade apenas de Lula, mas vai precisar de um acordo o União Brasil.

Para evitar perda de credibilidade e escândalos como em gestões petistas anteriores, Lula vem adotando postura cautelosa com aliados envolvidos em possíveis casos de corrupção. Nesta semana, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou a saída do secretário de Política Agrícola, Neri Geller, imediatamente após a descoberta de uma suposta ligação com irregularidades no leilão de importação do arroz.

Ainda em 2023, a ex-ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União-RJ), perdeu ainda mais força no cargo após suposta ligação com milicianos em Belford Roxo, no Rio de Janeiro. No caso da deputada fluminense, havia também pressão do União Brasil para trocá-la por Celso Sabino, atual chefe da pasta.

Com Juscelino Filho, a situação é oposta. Até o momento, o União Brasil vem manifestando apoio ao ministro. Em nota, a legenda frisou que indiciamento não é sinônimo de condenação.

"Suspeitas são apenas suspeitas, e o partido não vai admitir pré-julgamentos ou condenações antecipadas sobre o ministro. Indiciamento não deve significar culpa, e o princípio da presunção de inocência e o devido processo legal devem ser rigorosamente respeitados”, diz trecho do posicionamento do partido.

Leilões de cavalos

Essa não foi a primeira polêmica envolvendo o nome do ministro das Comunicações. Logo no começo do governo, em janeiro de 2023, Juscelino Filho usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e recebeu quatro diárias e meia no mesmo fim de semana em que participou de leilões de cavalos de raça.

A informação foi amplamente veiculada na imprensa no final de fevereiro e, dias depois da repercussão do caso, o ministro publicou um comunicado oficial, divulgado em 2 de março de 2023, informando a devolução do dinheiro recebido do governo para bancar diárias durante viagem a São Paulo.

Após cumprir agendas oficiais na manhã de uma sexta-feira, dia 26 de janeiro de 2023, Juscelino aproveitou o final de semana em São Paulo para participar de leilões de equinos e retornou apenas na segunda-feira. Mesmo sem agenda oficial no fim de semana, ele recebeu quatro diárias e meia de trabalho, entre 26 e 30 de janeiro, cerca de R$ 3.006,68, fora os custos de operação do voo de volta da FAB.

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