Governadores do PT se afastam de vices do MDB e devem mudar chapas à reeleição
Relação estremece em Bahia, Ceará e Piauí, enquanto no Rio Grande do Norte já há rompimento


Eduardo Gayer
Os quatro governadores do PT no País estão em rota de colisão com seus vices do MDB. Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí) encaminham trocas nas chapas para disputar a reeleição, enquanto Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte) rompeu definitivamente com seu “número dois”, o que resultará em uma eleição tampão no Estado.
O estremecimento entre PT e MDB em parte do Nordeste, reduto eleitoral dos petistas, se dá apesar da pressão de uma ala emedebista para assumir a vice do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. A hipótese, contudo, perdeu força após um manifesto de 17 diretórios do MDB pela neutralidade na disputa presidencial, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) caminha para repetir a dobradinha com Lula.
Bahia
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues deve substituir o vice Geraldo Júnior (MDB) por um nome do PSD, aliado do PT no Estado, ou do Avante. A articulação tem apoio do ministro da Casa Civil, Rui Costa, antecessor de Jerônimo e considerado seu principal padrinho político. O episódio em que “Geraldinho” encaminhou em um grupo de mensagens — segundo ele, por engano — uma reportagem com críticas a Costa intensificou o desgaste.
Procurado, o governador afirmou por meio de sua assessoria que a definição sobre a vice será anunciada até o início de abril. “As discussões estão sendo feitas pelo conselho político, com participação dos partidos e coordenadas do governador, que está trabalhando para formar uma chapa forte que mantenha o grupo unido”, disse.

Piauí
No Estado que deu a maior votação porcentual a Lula em 2022, com 74% dos votos, Rafael Fonteles planeja concorrer à reeleição com uma chapa “puro-sangue”. Tudo indica que Themístocles Filho (MDB) será trocado pelo ex-secretário de Educação Washington Bandeira (PT). Padrinho político de Fonteles, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), contudo, resiste ao desenho e defende uma composição partidária, de olho em 2030.
Segundo interlocutores, Dias almeja um quinto mandato a governador do Piauí daqui a quatro anos e vê em Bandeira um concorrente interno nesse horizonte. Procurado, o ministro declarou apenas que as negociações sobre a vice no Estado estão em andamento, sem comentar os relatos de que avista a sucessão de Fonteles desde já. O governador, por sua vez, não retornou aos contatos.

Ceará
Com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) liderando pesquisas, o governador Elmano de Freitas abriu as tratativas e pode rifar a vice Jade Romero (MDB). Nos bastidores do PT, porém, é avaliada uma mudança ainda mais agressiva: a substituição do próprio Elmano pelo ministro da Educação, Camilo Santana, ex-governador do Estado, e visto como mais competitivo para enfrentar Ciro — de quem foi aliado no passado e hoje é arquirrival.
Enquanto não há martelo batido, Santana deixará o MEC no início de abril com o discurso de que assumirá a coordenação de campanha de Elmano. Na prática, quer ficar apto pela legislação eleitoral para se lançar candidato, caso o “plano B” tenha de ser acionado no Ceará para evitar a perda do comando do Estado. Procurado, o governador não comentou.

Rio Grande do Norte
Enquanto seus três colegas petistas vivem uma fase difícil com os vices do MDB, a governadora Fátima Bezerra está um passo à frente e já rompeu com o seu, o ex-deputado Walter Alves. Filho do ex-presidente do Senado Garibaldi Alves, o vice-governador não assumirá o governo com a desincompatibilização de Fátima, que pretende se lançar ao Senado.









