Michelle Bolsonaro reafirma apoio a Celina Leão e provoca racha interno no PL-DF
Durante reunião do PL, ex-primeira-dama diz que mantém apoio à vice-governadora independentemente do que acontecer; posição contraria parte da cúpula do partido


Gabriela Tunes
Uma declaração da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro durante uma reunião do Partido Liberal (PL) abriu um novo ruído interno na legenda sobre a disputa pelo Governo do Distrito Federal em 2026.
Na reunião, Michelle afirmou que mantém o apoio à vice-governadora Celina Leão (PP) para uma eventual candidatura ao Palácio do Buriti.
“Eu não sou mandatária. Meu apoio é Celina Leão. Se tiver que mudar alguma coisa, eu estarei com a Celina”, disse.
A posição contraria parte das lideranças do partido no DF. Entre os principais nomes que resistem ao apoio estão o senador Izalci Lucas (PL-DF), que afirma ter recebido do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, o aval para disputar o governo local, e o deputado federal Alberto Fraga (PL-DF), aliado próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro e do ex-governador José Roberto Arruda.
A declaração de Michelle ocorre em meio a divergências dentro da legenda. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já havia sinalizado que o partido só deveria apoiar Celina caso o governador Ibaneis Rocha (MDB) desistisse de uma eventual candidatura à reeleição.
Nos bastidores do PL, dirigentes avaliam que a manifestação da ex-primeira-dama antecipa um apoio que ainda não foi formalizado pelo diretório nacional e que dependeria de uma decisão política mais ampla.
Nesta semana, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) também afirmou que apoia Celina Leão para o governo do DF. Internamente, integrantes do partido classificam o gesto como um apoio “branco”, uma forma de evitar atritos com Michelle.
“Muita gente prefere apoiá-la do que comprar uma briga com ela”, afirmou um dirigente do partido.
Bia Kicis e Michelle Bolsonaro compõem hoje a chapa única do PL para o Senado no Distrito Federal.
Amizade no centro da discussão
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que parte da cúpula do PL atribui o movimento de Michelle à relação pessoal de amizade com Celina Leão, e não necessariamente a uma estratégia eleitoral da sigla.
Entre integrantes do partido, há a avaliação de que o eleitorado bolsonarista pode não seguir automaticamente uma indicação da ex-primeira-dama.
Resistência da militância
Outro fator que pesa na discussão interna é a reação de setores da militância bolsonarista à possibilidade de apoio à vice-governadora.
Dentro do partido, parte da base conservadora ainda demonstra resistência ao nome de Celina Leão. Um dos episódios citados por militantes é a presença da vice-governadora ao lado do então ministro da Justiça Flávio Dino no Ministério da Justiça após os atos de 8 de janeiro.
Pressão por espaço na chapa
Apesar do desconforto interno, lideranças do PL avaliam que uma saída para reduzir o ruído seria a construção de uma chapa em que o partido indique o candidato a vice.
Entre os nomes citados internamente estão o deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF) e a própria Michelle Bolsonaro.
Na avaliação de integrantes da legenda, Manzoni poderia ajudar a atrair o eleitorado evangélico, segmento em que Celina, mesmo sendo evangélica, enfrenta resistência em parte da base bolsonarista.
Até o momento, o entendimento predominante dentro do partido é de um apoio cauteloso, que poderia evoluir para apoio formal caso haja desistência de Ibaneis Rocha e garantia de espaço para o PL na chapa.









