Governadores do PT se afastam de vices do MDB e devem mudar chapas à reeleição
Relação estremece em Bahia, Ceará e Piauí, enquanto no Rio Grande do Norte já há rompimento


Governadores do PT | Foto: Montagem/SBT News
Os quatro governadores do PT no País estão em rota de colisão com seus vices do MDB. Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí) encaminham trocas nas chapas para disputar a reeleição, enquanto Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte) rompeu definitivamente com seu “número dois”, o que resultará em uma eleição tampão no Estado.
O estremecimento entre PT e MDB em parte do Nordeste, reduto eleitoral dos petistas, se dá apesar da pressão de uma ala emedebista para assumir a vice do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. A hipótese, contudo, perdeu força após um manifesto de 17 diretórios do MDB pela neutralidade na disputa presidencial, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) caminha para repetir a dobradinha com Lula.
Bahia
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues deve substituir o vice Geraldo Júnior (MDB) por um nome do PSD, aliado do PT no Estado, ou do Avante. A articulação tem apoio do ministro da Casa Civil, Rui Costa, antecessor de Jerônimo e considerado seu principal padrinho político. O episódio em que “Geraldinho” encaminhou em um grupo de mensagens — segundo ele, por engano — uma reportagem com críticas a Costa intensificou o desgaste.
Procurado, o governador afirmou por meio de sua assessoria que a definição sobre a vice será anunciada até o início de abril. “As discussões estão sendo feitas pelo conselho político, com participação dos partidos e coordenadas do governador, que está trabalhando para formar uma chapa forte que mantenha o grupo unido”, disse.

Piauí
No Estado que deu a maior votação porcentual a Lula em 2022, com 74% dos votos, Rafael Fonteles planeja concorrer à reeleição com uma chapa “puro-sangue”. Tudo indica que Themístocles Filho (MDB) será trocado pelo ex-secretário de Educação Washington Bandeira (PT). Padrinho político de Fonteles, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), contudo, resiste ao desenho e defende uma composição partidária, de olho em 2030.
Segundo interlocutores, Dias almeja um quinto mandato a governador do Piauí daqui a quatro anos e vê em Bandeira um concorrente interno nesse horizonte. Procurado, o ministro declarou apenas que as negociações sobre a vice no Estado estão em andamento, sem comentar os relatos de que avista a sucessão de Fonteles desde já. O governador, por sua vez, não retornou aos contatos.

Ceará
Com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) liderando pesquisas, o governador Elmano de Freitas abriu as tratativas e pode rifar a vice Jade Romero (MDB). Nos bastidores do PT, porém, é avaliada uma mudança ainda mais agressiva: a substituição do próprio Elmano pelo ministro da Educação, Camilo Santana, ex-governador do Estado, e visto como mais competitivo para enfrentar Ciro — de quem foi aliado no passado e hoje é arquirrival.
Enquanto não há martelo batido, Santana deixará o MEC no início de abril com o discurso de que assumirá a coordenação de campanha de Elmano. Na prática, quer ficar apto pela legislação eleitoral para se lançar candidato, caso o “plano B” tenha de ser acionado no Ceará para evitar a perda do comando do Estado. Procurado, o governador não comentou.

Rio Grande do Norte
Enquanto seus três colegas petistas vivem uma fase difícil com os vices do MDB, a governadora Fátima Bezerra está um passo à frente e já rompeu com o seu, o ex-deputado Walter Alves. Filho do ex-presidente do Senado Garibaldi Alves, o vice-governador não assumirá o governo com a desincompatibilização de Fátima, que pretende se lançar ao Senado.
























