Política

Em carta, Bolsonaro cita Flávio como seu “porta-voz”

Ex-presidente diz que momento é para "deixar as diferenças de lado", em referência ao racha interno entre o filho e a ex-primeira-dama Michelle

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Victor Schneider
Flávio Bolsonaro é pré-candidato a presidente pelo PL | Reprodução/YouTube

Flávio Bolsonaro é pré-candidato a presidente pelo PL | Reprodução/YouTube

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou neste sábado (11) uma carta escrita a mão em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, se refere a Flávio como seu “porta-voz". O movimento tenta pacificar a crise na pré-campanha desde que a ex-primeira-dama Michelle divulgou vídeo crítico ao enteado a expôs o racha interno na sucessão do bolsonarismo.

Em live nas redes sociais aos moldes do que fazia Jair às quintas-feiras no seu governo, Flávio falou por 20 minutos em estilo informal, com recados aos usuários que acompanhavam a transmissão. “Estamos reativando esse canal aqui no YouTube exatamente para poder fazer como meu pai sempre fez: falar diretamente olhando no olho de todos vocês, sem distorção, de forma muita transparente e direta", resumiu.

Na carta, Bolsonaro diz estar “saudoso” do povo brasileiro e que escreve em momento decisivo para o país. O ex-presidente cita a necessidade de “arregaçar as mangas” e deixar “de lado as possíveis diferenças” em prol da candidatura do filho.

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“O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento. Meu pré-candidato – e creio, o seu também –, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade", escreveu o ex-presidente.

O documento é sucinto e Flávio brinca com a caligrafia “singular” do pai. “Bonita a letra dele não é, mas o importante é o conteúdo", brincou.

O foco da gravação, além da carta, foram críticas ao governo Lula (PT) pelo iminente tarifaço sobre exportações brasileiras que deve ser confirmado pelos Estados Unidos na quarta (15) e pelo que considera ser um clima de perseguição jurídica e insatisfação no país. Flávio também citou a agenda realizado na sexta (10) no Ceará, justamente o estado que desencadeou a crise entre Michelle e Flávio.

Como mostrou o SBT News, a cúpula do PL vê a ex-primeira-dama como “candidatíssima", mesmo com indícios de desistência na disputa pelo Senado no Distrito Federal. A convenção do PL que irá definir os candidatos do partido neste ano está prevista para 25 de julho.

Michelle x Flávio

A crise interna surgiu porque Michelle queria o PL no Ceará ao lado do senador Eduardo Girão (Novo-CE) como governador e com a vereadora Priscila Costa (PL), de Fortaleza, como candidata ao Senado. Já a frente liderada por Flávio entende que Ciro representa a melhor chance de desbancar o governador Elmano de Freitas (PT) e lançaria, nesta formação, o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) a uma das vagas ao Senado.

Conforme disse Michelle em vídeo publicado em 24 de junho, ao tentar contato com o enteado para sanar o impasse, Flávio teria sido “muito ríspido” e a desrespeitado, além de ordenar que a ex-primeira-dama ficasse de fora das decisões do partido.

"Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi", declarou.

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