Política

Michelle diz ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro

Ex-primeira-dama afirmou que foi desrespeitada por Flávio Bolsonaro e, por isso, se afastou das decisões partidárias

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Caroline Vale
24/06/2026, 21:05 • Atualizado em 24/06/2026, 22:26
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou dois vídeos nas redes sociais nesta quarta-feira (24) e revelou detalhes de uma conversa telefônica com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. Segundo Michelle, ela foi maltratada e desrespeitada pelo enteado após divergências sobre articulações políticas do Partido Liberal (PL) no Ceará. O episódio resultou em um afastamento entre os dois.

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Nos vídeos, Michelle afirmou que decidiu procurar Flávio depois de ver publicações do senador e de seus irmãos criticando seu posicionamento contrário a uma possível aliança com Ciro Gomes no primeiro turno das eleições.

De acordo com a ex-primeira-dama, ela tentou contato diversas vezes, mas não obteve resposta imediata. Horas depois, Flávio retornou a ligação. Michelle disse que a conversa foi marcada por um tratamento duro por parte do senador.

"Sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele", declarou.

Michelle também afirmou que Flávio pediu que ela se mantivesse afastada das decisões do partido. Segundo seu relato, o senador disse que ela deveria ficar fora das discussões internas e que "havia chegado ontem e não entendia nada de política".

"Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi", declarou.

Michelle também destacou sua atuação à frente do PL Mulher, ressaltando que percorreu o país para fortalecer a participação feminina na política e ajudar na estruturação do partido nos estados.

"Desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou e é só isso. Agora, vou desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa. Eu sei quem as planta. Eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam. Primeiro, eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso", completou.

Apesar das críticas, a ex-primeira-dama afirmou que não guarda ressentimentos e disse continuar apoiando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. “Abençoei a escolha de Jair e a pré-candidatura de Flávio nas mesmas redes sociais em que ele e os irmãos me atacaram e nas quais foi publicada uma entrevista dele me chamando de desrespeitosa e autoritária. Como eu disse, aprendi a conviver com isso. Perdoo quem me machuca e permanecerei no meu lugar“, afirmou.

Ela também negou informações divulgadas nos bastidores políticos de que estaria insatisfeita por não ter sido escolhida para disputar cargos eletivos.

"Eu já liberei o perdão faz muito tempo. Eu não carrego rancor no coração. [...] Perdoar não é o mesmo que esquecer ou querer continuar o relacionamento. São coisas completamente diferentes. Posso perdoar alguém de coração e ainda assim reconhecer que aquela relação não é saudável. Perdão é libertação, não é obrigação", declarou.

Michelle fala em "apunhalada"

A ex-primeira-dama ainda classificou todo o conflito como uma "apunhalada". Segundo a ex-primeira-dama, ela não poderia permanecer em silêncio diante da articulação política em questão.

As críticas de Michelle têm como pano de fundo as articulações do PL no Ceará para construir uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes. O deputado André Fernandes alegou que as conversas com Ciro ocorreram com conhecimento e autorização de Jair Bolsonaro e tinham o apoio de lideranças do partido, incluindo Flávio, como parte de uma estratégia para unir forças contra o PT no estado. Após o desgaste dentro da família Bolsonaro, o PL decidiu suspender temporariamente as negociações.

Nos vídeos de hoje, Michelle argumentou que a aproximação com Ciro seria incompatível com os valores defendidos pela direita: "Enquanto temos um candidato verdadeiramente de direita que, com o apoio que o André [Fernandes] tem, seria um candidato competitivo. Não é questão de política, é questão de coerência."

"Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou a inelegibilidade do meu marido durante a pandemia. Numa com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo todo", completou.

Em outro trecho do vídeo, sem citar nomes diretamente, Michelle mencionou um grupo que, segundo ela, atuaria a partir do exterior para desgastar sua imagem publicamente.

"O grupo de maledicência coordenada a partir de quem está no exterior, continua agindo e me atacando todos os dias. Alguns deles até continuam aparecendo em fotos com o Flávio. Eles fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir."

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