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A projeção está no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento ao Congresso Nacional em abril deste ano. Desse reajuste, uma parte cobre a inflação e outra representa ganho real.
Segundo o próprio Ministério do Planejamento, o novo valor equivale a um aumento de 2,5% acima da inflação, ou seja, o trabalhador que recebe o mínimo deve terminar 2027 com um pouco mais de poder de compra do que tem hoje.
Esse número ainda não é definitivo. Trata-se de uma estimativa baseada em projeções de inflação e crescimento econômico, e só será confirmado no fim de 2026, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro for divulgado pelo IBGE.
Se confirmado, o novo salário mínimo passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2027, seguindo o mesmo calendário dos últimos reajustes.
O caminho até lá tem algumas etapas. Primeiro, o valor é estimado no PLDO, que serve como um guia inicial para a montagem do Orçamento.
Depois, é detalhado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado ao Congresso no segundo semestre.
O número oficial só sai mesmo no fim do ano, por decreto presidencial, depois que o INPC de novembro é fechado.
Foi assim que o valor de 2026 chegou a R$ 1.621: o reajuste foi definido pelo Decreto nº 12.797, assinado em 23 de dezembro de 2025, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026.
Desde 2023, o Brasil voltou a ter uma política de valorização permanente do salário mínimo, criada pela Lei nº 14.663/2023.
Antes disso, em boa parte do governo anterior, o piso era reajustado apenas pela inflação, sem ganho real.
A regra atual combina dois fatores:
- A variação do INPC acumulada nos 12 meses até novembro do ano anterior, que repõe a inflação;
- O crescimento real do PIB de dois anos antes, que garante um ganho acima da inflação quando a economia cresce.
Para o cálculo de 2027, por exemplo, entra o desempenho do PIB de 2025. Se a economia tiver crescido, uma fatia desse crescimento vira aumento real no bolso de quem ganha o mínimo.
Há um limite, porém, já que pelo arcabouço fiscal aprovado em 2024, o ganho real do salário mínimo está limitado a um teto de 2,5% ao ano, mesmo que o PIB tenha crescido mais do que isso.
A ideia é equilibrar a valorização do piso com o controle das contas públicas, já que o salário mínimo também baliza aposentadorias, pensões, seguro-desemprego e benefícios assistenciais como o BPC.
Impacto na cesta básica do trabalhador
Mesmo com o reajuste, ainda há uma distância entre o salário mínimo oficial e o que uma família realmente precisa para viver.
É o que mostra a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em junho de 2026, a cesta básica média nas capitais brasileiras custava R$ 779,95, uma alta de 8,69% em 12 meses. Sozinha, essa cesta já consumia cerca de 52% do salário mínimo líquido do trabalhador.
Em São Paulo, onde a cesta é a mais cara do país, o valor chegou a R$ 965,47. Com base nesse custo, o DIEESE calcula todo mês o chamado "salário mínimo necessário": o valor que garantiria a uma família de quatro pessoas cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência, como determina a Constituição.
Em junho de 2026, esse valor ideal era de R$ 8.110,92, quase cinco vezes o piso vigente de R$ 1.621.
Com o novo mínimo de R$ 1.717 em 2027, o trabalhador ganha um respiro modesto. Os R$ 96 a mais representam pouco mais de um décimo do valor de uma cesta básica média nacional.
Como o ganho real prometido pelo governo é de 2,5%, na prática o poder de compra deve avançar nessa proporção, desde que os preços dos alimentos não voltem a subir mais rápido que a inflação geral, como aconteceu em boa parte de 2026, puxados pela alta do feijão e do arroz.
Ou seja: o reajuste ajuda, mas está longe de fechar a conta. A distância entre o salário mínimo pago e o salário mínimo necessário, hoje de quase cinco vezes, deve continuar sendo um dos principais temas de debate econômico e social do país em 2027.
Salário mínimo 2027: veja o reajuste e o novo valorGoverno projeta valor para R$ 1.717, alta de 5,92% sobre os R$ 1.621 atuais; entenda o cálculoEconomia2026-08-11T16:08:57.801ZO governo federal já tem uma estimativa para o O valor representa um aumento de R$ 96 em relação ao piso atual, de R$ 1.621, o que equivale a uma alta nominal de 5,92%. A projeção está no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento ao Congresso Nacional em abril deste ano. Desse reajuste, uma parte cobre a inflação e outra representa ganho real. Segundo o próprio Ministério do Planejamento, o novo valor equivale a um aumento de 2,5% acima da inflação, ou seja, o trabalhador que recebe o mínimo deve terminar 2027 com um pouco mais de poder de compra do que tem hoje. Esse número ainda não é definitivo. Trata-se de uma estimativa baseada em projeções de inflação e crescimento econômico, e só será confirmado no fim de 2026, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro for divulgado pelo IBGE. Quando o aumento entra em vigor? Se confirmado, o novo salário mínimo passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2027, seguindo o mesmo calendário dos últimos reajustes. O caminho até lá tem algumas etapas. Primeiro, o valor é estimado no PLDO, que serve como um guia inicial para a montagem do Orçamento. Depois, é detalhado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado ao Congresso no segundo semestre. O número oficial só sai mesmo no fim do ano, por decreto presidencial, depois que o INPC de novembro é fechado. Foi assim que o valor de 2026 chegou a R$ 1.621: o reajuste foi definido pelo Decreto nº 12.797, assinado em 23 de dezembro de 2025, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. Por que o salário mínimo aumenta todo ano? Desde 2023, o Brasil voltou a ter uma política de valorização permanente do salário mínimo, criada pela Lei nº 14.663/2023. Antes disso, em boa parte do governo anterior, o piso era reajustado apenas pela inflação, sem ganho real. A regra atual combina dois fatores: - A variação do INPC acumulada nos 12 meses até novembro do ano anterior, que repõe a inflação; - O crescimento real do PIB de dois anos antes, que garante um ganho acima da inflação quando a economia cresce. Para o cálculo de 2027, por exemplo, entra o desempenho do PIB de 2025. Se a economia tiver crescido, uma fatia desse crescimento vira aumento real no bolso de quem ganha o mínimo. Há um limite, porém, já que pelo arcabouço fiscal aprovado em 2024, o ganho real do salário mínimo está limitado a um teto de 2,5% ao ano, mesmo que o PIB tenha crescido mais do que isso. A ideia é equilibrar a valorização do piso com o controle das contas públicas, já que o salário mínimo também baliza aposentadorias, pensões, seguro-desemprego e benefícios assistenciais como o BPC. Impacto na cesta básica do trabalhador Mesmo com o reajuste, ainda há uma distância entre o salário mínimo oficial e o que uma família realmente precisa para viver. É o que mostra a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em junho de 2026, a cesta básica média nas capitais brasileiras custava R$ 779,95, uma alta de 8,69% em 12 meses. Sozinha, essa cesta já consumia cerca de 52% do salário mínimo líquido do trabalhador. Em São Paulo, onde a cesta é a mais cara do país, o valor chegou a R$ 965,47. Com base nesse custo, o DIEESE calcula todo mês o chamado "salário mínimo necessário": o valor que garantiria a uma família de quatro pessoas cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência, como determina a Constituição. Em junho de 2026, esse valor ideal era de R$ 8.110,92, quase cinco vezes o piso vigente de R$ 1.621. Com o novo mínimo de R$ 1.717 em 2027, o trabalhador ganha um respiro modesto. Os R$ 96 a mais representam pouco mais de um décimo do valor de uma cesta básica média nacional. Como o ganho real prometido pelo governo é de 2,5%, na prática o poder de compra deve avançar nessa proporção, desde que os preços dos alimentos não voltem a subir mais rápido que a inflação geral, como aconteceu em boa parte de 2026, puxados pela alta do feijão e do arroz. Ou seja: o reajuste ajuda, mas está longe de fechar a conta. A distância entre o salário mínimo pago e o salário mínimo necessário, hoje de quase cinco vezes, deve continuar sendo um dos principais temas de debate econômico e social do país em 2027.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/salario-minimo-2027-veja-o-reajuste-e-o-novo-valor