Política

Gilmar confirma reunião com Vorcaro mas destaca voto contra

Sobre a aproximação de seu ex-cunhado com Vorcaro, Mendes respondeu que não tem conhecimento sobre relação de ex-parente

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Basília Rodrigues
Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal | Divulgação/Victor Piemonte/STF

Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal | Divulgação/Victor Piemonte/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quinta-feira (17) que teve uma audiência com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para tratar de uma causa de interesse do empresário, mas ressaltou que votou contra a tese. A reunião ocorreu em 2024.

A informação sobre o encontro foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, Vorcaro pediu ao ministro que votasse a favor de uma causa bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro, o que o beneficiaria diretamente.

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“A audiência ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do ministro, no Supremo Tribunal Federal, e contou com a presença dos advogados do Banco Master. Foi realizada na sede do tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado”, informou o gabinete do ministro.

Segundo a nota, o recebimento de advogados em audiência é uma prerrogativa assegurada por lei.

O caso foi julgado pela Segunda Turma do STF em 3 de junho de 2025. O Banco Master saiu vencedor, por 3 votos a 2, na disputa sobre o pagamento de um precatório. Mendes ficou vencido, assim como o ministro André Mendonça. Prevaleceu a posição dos ministros Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli, favoráveis à empresa.

“Em nenhum desses processos o ministro votou em sentido favorável aos interesses apontados pela reportagem, inclusive após a audiência mencionada”, enfatizou o gabinete.

“O voto foi o mesmo em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma”, destacou. “No ARE 1.312.127 (Raízen), relatado pelo ministro, ele votou contra o pagamento do precatório, e a União saiu vitoriosa em 16 de setembro de 2024, vencidos os ministros Edson Fachin e Nunes Marques.

No ARE 1.392.660 (Jalles Machado), votou duas vezes contra o pagamento à usina, em 6 de agosto de 2024 e em 19 de agosto de 2025, ficando vencido nas duas ocasiões, acompanhado pelo ministro André Mendonça. No ARE 1.500.251 (Raízen), pediu destaque em 15 de agosto de 2025 e interrompeu um julgamento que se encaminhava em favor da usina. Na STP 976-ED, votou em todas as sessões contra a liberação do precatório de mais de `R$ 5 bilhões”, listou o gabinete do ministro em nota encaminhada nesta noite.

A nota destaca que, antes e depois da reunião com Vorcaro e seus advogados, Mendes continuou votando contra os interesses deles.

O decano da Corte também teve de explicar a relação contratual entre o ex-senador e ex-cunhado de Mendes, Chiquinho Feitosa, e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Reportagem do Estadão informou que Vorcaro procurou Chiquinho como intermediário. Gilmar reiterou que Chiquinho Feitosa é seu ex-cunhado e que não responde pelas relações de seus ex-parentes.

“O ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi procurado por ele para tratar dos assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente”, pontuou.

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