Gestões Nunes e Tarcísio veem demora e interesse eleitoral em pedido de Lula de apuração sobre Enel
Prefeito e vice-governador de São Paulo dizem esperar que medida do governo federal seja para valer


Guilherme Seto
As gestões Ricardo Nunes (MDB) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) reagiram com ceticismo ao despacho do governo Lula (PT), publicado nesta segunda-feira (12), determinando que a AGU (Advocacia-Geral da União) e a CGU (Controladoria-Geral da União) apliquem medidas para garantir a prestação de serviço da Enel, distribuidora de energia elétrica de São Paulo.
O prefeito de São Paulo e o vice-governador do Estado, Felicio Ramuth (PSD), afirmaram ao SBT News que o ato em si não tem efeito prático e que esperam que a medida seja para valer.
“Até que enfim o presidente tomou uma atitude, mesmo que tardia, para tirar a população de São Paulo da qualidade de refém do mau serviço da Enel”, disse o emedebista.
Internamente, segundo apurou a reportagem, ele atribuiu a medida a interesses eleitorais do petista, tendo a disputa de 2026 em vista, após demora em tomar uma atitude em relação ao problema.
Ramuth disse que também enxerga caráter eleitoral na medida. Segundo ele, “demoraram muito para tomar essa decisão, mas antes tarde do que nunca”.
O vice-governador ainda destacou que “se não houvesse a pressão do prefeito de São Paulo e do governador [Tarcísio], a esta altura o contrato já poderia ter sido renovado”. Ele ainda pediu celeridade de AGU e CGU e disse ter certeza de que o descaso da concessionária será comprovado.
Em seu despacho, Lula solicita que a AGU elabore um relatório a respeito das medidas tomadas pela Enel em relação às interrupções da prestação de serviço nos últimos anos. São Paulo sofreu com ao menos quatro grandes apagões por falhas da empresa desde 2023.
Em dezembro, Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, anunciou que daria início ao processo para romper o contrato com a Enel em São Paulo. O contrato da empresa na Região Metropolitana acaba em 2028, e cabe ao ministério tomar a decisão pela renovação ou não.
O prefeito e o governador Tarcísio já vinham pressionando o governo federal pelo pedido de caducidade nos meses anteriores.
A concessionária tem afirmado que cumpre as obrigações determinadas em contrato e tem destacado os investimentos financeiros feitos desde o início da concessão.








