Flávio tenta contornar crise com agenda sobre reforma tributária, jornada de trabalho e redução da maioridade
Senador busca pautar debate e superar desgaste provocado após revelações de que manteve conversas e encontros com Daniel Vorcaro


Marcela Mattos
Estrategistas da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elegeram alguns temas para o pré-candidato à Presidência da República priorizar enquanto tenta contornar a crise gerada em decorrência de seus contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Conforme a pesquisa Atlas/Intel, o senador perdeu seis pontos após terem sido reveladas conversas em que ele pede dinheiro ao dono do Banco Master para financiar o filme do pai. Quase uma semana após a divulgação das mensagens pelo Intercept Brasil, Flávio admitiu que visitou Vorcaro após ele ter sido preso pela primeira vez e enquanto usava tornozeleira eletrônica.
Uma das abordagens para que se tente virar a página já foi colocada em prática. Nesta terça-feira (19), o senador aproveitou o discurso durante a Marcha dos Prefeitos para apresentar a sua proposta relativa a mudanças na jornada de trabalho.
Ele defendeu maior flexibilidade nas negociações entre o empregado e o empregador, inclusive para quem quer trabalhar por jornadas ainda mais longas que as 44 horas permitidas, e vinculou a remuneração às horas trabalhadas. “O trabalhador é quem tem que escolher quanto tempo trabalha, e não o governo”, disse.
Flávio decidiu entrar no debate sobre a mudança na jornada de trabalho, tema que ganhou a atenção da opinião pública, se contrapondo ao modelo que vem sendo encampado pelo presidente Lula (PT), que prevê uma jornada de 40 horas semanais e cinco dias trabalhados para dois de descanso.
O pré-candidato também deve começar a sinalizar uma agenda mais voltada à economia, propondo uma revisão da reforma tributária recém-aprovada pelo governo Lula. As principais mudanças estão previstas para ter início no ano que vem, e o pré-candidato pretende passar a defender um prazo maior para que as medidas entrem em vigor.
A ideia é reforçar os ataques ao que chama de excesso de impostos enquanto anuncia um estudo sobre a eficácia da reforma e o risco de ela acabar aumentando ainda mais as alíquotas pagas pelos brasileiros. Já dando o tom do discurso, Flávio afirmou aos prefeitos que o governo está “esfolando a população com o aumento da carga tributária”.
A agenda da segurança pública também deve ser turbinada com a defesa mais enfática da redução da maioridade penal, uma das principais bandeiras da direita. Aliados de Flávio defendem que ele e seus aliados passem a aumentar as abordagens e a pressão para que o tema avance no Congresso Nacional.
Flávio defende a redução da maioridade penal para 16 anos, chegando a 14 anos em casos de estupro.









