Flávio preserva capital político após caso Vorcaro
CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avalia que impacto das conversas foi limitado nas intenções de voto no 1º turno, mas mais sensível no 2º


O senador Flávio Bolsonaro | Geraldo Magela/Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) preservou seu capital político mesmo após a divulgação das conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, na avaliação do CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.
Em entrevista ao programa Central de Notícias, do SBT News, nesta segunda-feira (25), Tokarski afirmou que o impacto do episódio foi “pequeno”nas intenções de voto, sobretudo nos cenários de primeiro turno da disputa presidencial, embora tenha sido mais perceptível nas simulações de segundo turno.
“Os números são muito claros no seguinte sentido: muita gente chegou a falar que o rombo no casco do navio do Flávio Bolsonaro seria irreversível, que ele teria que talvez desistir da grande disputa. Não foi isso que aconteceu, pelo menos até aqui. O casco desse navio, para usar a metáfora, foi levemente arranhado”, disse.
Segundo ele, o desempenho do senador pouco mudou nos cenários pesquisados em primeiro turno e no voto espontâneo, quando os entrevistados citam candidatos sem receber uma lista prévia de nomes.
“No segundo turno, esse efeito também está longe de ser um rombo. Flávio ainda é bastante competitivo numa eventual disputa contra o presidente Lula, mas obviamente a gente vê que o risco no casco foi um pouquinho mais fundo. [...] Lula teria um favoritismo hoje, mas a eleição não é hoje”, afirmou.
Pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (25), mostra o presidente Lula (PT) com 40% das intenções de voto contra 35% de Flávio no primeiro turno. Já no segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% do senador, resultado que configura empate no limite da margem de erro de 2 pontos percentuais.
O levantamento ouviu 2.045 pessoas entre os dias 22 e 24 de maio. O nível de confiança é de 95% e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-04193/2026.
Medidas do governo ajudaram Lula
Tokarski também atribuiu parte da melhora de Lula nas pesquisas ao conjunto de medidas recentes anunciadas pelo governo federal, como o Desenrola 2.0, a redução da taxa das blusinhas e a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas.
“A gente não pode creditar essa diferença aberta pelo Lula no segundo turno sobre o Flávio só ao episódio do áudio e da visita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. [...] Lula vem lenta e gradualmente, mas de maneira consistente, conseguindo melhorar a avaliação do seu governo.. [...] Isso coincide, e aqui o coincide é muito entre aspas, porque não é uma mera coincidência, com a caixa de ferramentas que o governo abriu”, afirmou.
Segundo ele, as medidas recentes possuem aprovação superior a 70% do eleitorado, inclusive entre eleitores adversários do presidente.
“É importante a gente notar que, historicamente, todo governante consegue melhorar a sua avaliação ao longo de uma campanha. O Lula tem feito isso de maneira gradual. Por quê? Porque ele tem um teto de rejeição. 47% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. É uma rejeição que vem caindo. [...] Para o Lula, é fundamental manter esse ritmo”, disse.
Tokarski também comentou o aumento da rejeição de Flávio Bolsonaro. Na mais recente pesquisa BTG Pactual/Nexus, o senador aparece com 50% de rejeição, patamar que, segundo o CEO da Nexus, representa “uma zona um pouco perigosa”.
“A gente vai ter que esperar a próxima pesquisa, que a gente vai fazer daqui três semanas, para avaliar se essa rejeição ao Flávio pode continuar crescendo — o que dificultaria muito a candidatura, porque, se você é rejeitado por mais da metade dos eleitores, você não tem como ganhar uma eleição”, disse.
Terceira via
Tokarski afirmou que a pesquisa mostra um cenário de forte polarização entre Lula e Flávio, o que dificulta o surgimento de uma candidatura competitiva de terceira via. Segundo ele, apenas 7% dos eleitores rejeitam simultaneamente o presidente e o senador, enquanto a maior parte do eleitorado aceita votar em um dos dois nomes.
“O que acontece nesse aspecto da terceira via é que o eleitor até pode desejar algo novo, mas quando ele olha para aquele cardápio que está na frente dele — o cardápio de candidatos — ele não identifica ninguém ali que ele se apaixone e ele vai por um amor antigo, ou por um ódio menor antigo”, disse.
Segundo o CEO da Nexus, a pesquisa mostra que 18% dos entrevistados disseram preferir um candidato “nem-nem”, ou seja, que não seja apoiado nem por Lula nem por Flávio Bolsonaro, mas ainda não enxergam uma opção viável fora da disputa polarizada.
“[...] o eleitor olha para o cardápio e fala: ‘não, mas esses que estão aí ou eu não conheço, ou eu não gosto, então deixa eu ir para quem eu gosto menos’. Enquanto a gente tiver esse cenário, vai ser muito difícil furar a bolha dessa famosa polarização”, avaliou.















