Fila do INSS cresce 30%, após investigações, mas medidas foram tomadas, segundo presidente do instituto
Gilberto Waller afirma que fila cresceu porque INSS ganhou mais evidência na mídia. Ele também reconhece que irregularidades de funcionários



Basília Rodrigues
Victoria Abel
Hariane Bittencourt
A divulgação de investigações sobre fraude no INSS acabou atraindo mais pessoas interessadas em receber aposentadoria e pensão dentro das regras. Em entrevista ao programa Sala de Imprensa do SBT News, o presidente do INSS, Gilberto Waller, afirmou que a fila mensal do instituto cresceu cerca de 30%.
“Atingiu um patamar negativamente histórico. Em junho, quando o nome do INSS começa a circular na mídia, as pessoas começam a procurar o Meu INSS (aplicativo do instituto). Era 1 milhão e passou para 1 milhão e 300 mil pedidos por mês”, explicou.
Waller revelou ao SBT News que, ao assumir o cargo em abril, descobriu que o instituto havia deixado de atualizar o dado sobre o tamanho da fila de pedidos de seguridade social por mês. “A gente está com uma fila de 2 milhões 734 mil. E dados, não sei por que, pararam de ser publicados no ano anterior (2024). Não sei por quem. A transparência que mostrava a fila tinha parado”, contou. Waller determinou a retomada da divulgação das informações atualizadas.
O tempo de resposta é de cerca de 35 dias. O governo tem adotado medidas para reduzir mais o prazo, que varia de acordo com a região. Uma das iniciativas é nacionalizar o cadastro para que funcionários do INSS em qualquer posto consigam analisar e validar o pedido, mesmo que não estejam no estado solicitante.
No Nordeste, onde há muita solicitação de Benefício de Prestação Continuada (BPC), o prazo pode chegar a 188 dias. Enquanto no estado de São Paulo ou na região Sul, o INSS não identifica filas.
Atualmente, há 18 mil funcionários no INSS. Além do salário, o instituto também oferece bônus de produtividade. Além da fila corriqueira de pedidos de benefício, os funcionários tem trabalhado também no ressarcimento dos segurados prejudicados pelo esquema de fraude.
Waller destaca que o INSS realizou “um processo de ouvidoria dentro do processo de ressarcimento, sem fila, sem empurra empurra” e que há dedicação dos funcionários para resgatar a imagem do instituto.
“Todos servidores vestiram a camisa e começaram a trabalhar aos fins de semana, em mutirão. Todos ficaram pensando em recuperar o INSS. Em outubro, acabou o dinheiro do bônus por produtividade. Nenhum funcionário cruzou os braços”, disse.
O presidente do INSS afirmou que o instituto não admite manter funcionários que trabalhem contra o segurado. “O INSS, vou falar da minha experiência que fui o primeiro corregedor em 2001, sempre foi a corregedoria que mais puniu servidores. Há irregularidades dentro do INSS por causa do volume, da quantidade, e a gente não abre mão de que quem cometeu irregularidades tem que sair. Há gente que concede benefício irregular? Tenho certeza que tem. Tem servidor que comete fraude? Tem. Mas o que a gente não pode ter é admitir que aquilo seja aceito. A gente demitiu inúmeras pessoas, até pessoas com cargo de comissão alto”, enfatizou.
Waller iniciou a carreira pública na corregedoria e depois ouvidoria do INSS, nos anos de 1990. Após passagens na Controladoria Geral da União (CGU) e Advocacia Geral da União (AGU), retornou ao INSS para substituir o ex-presidente Alessandro Stefanutto, que está preso pela acusação de fraude no instituto.
Assista à entrevista de Gilberto Waller na íntegra:









