Política

Festas juninas e evento jurídico atraem políticos e esvaziam semana no Congresso; veja o que pode ser votado

Com prazo apertado, Senado tenta aprovar aumento do número de deputados antes que decisão vá para a Justiça Eleitoral

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Rafael Porfírio
23/06/2025, 18:49 • Atualizado em 24/06/2025, 00:26
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A partir desta segunda-feira (23), quem circular na Câmara dos Deputados e no Senado vai encontrar cadeiras vazias, corredores silenciosos e poucos assuntos polêmicos. É que o Congresso Nacional entrou oficialmente em modo "stand by" até pelo menos a segunda semana de julho.

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Qual o motivo do esvaziamento?

O primeiro, são as festas de São João nos redutos eleitorais.

Um dos que já entraram no clima foi o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele curtiu o fim de semana no São João de Patos, no sertão da Paraíba (PB), cidade comandada por seu pai, o prefeito Nabor Vanderley.

Cercado de aliados, familiares e eleitores, Motta circulou como uma celebridade local. Tirou selfie, dançou forró e fez discurso animado. Aproveitou para reforçar vínculos com a base eleitoral.

“Eu duvido você encontrar um São João melhor que o de Patos, na minha Paraíba”, escreveu nas redes sociais.
Reprodução: Instragram @hugomottapb
Reprodução: Instragram @hugomottapb

Outro motivo para o esvaziamento do Congresso já na próxima semana é o tradicional Fórum Jurídico de Lisboa, carinhosamente apelidado de "Gilmarpalooza", um encontro que reúne ministros, parlamentares e figuras do Judiciário em solo português.

O evento ocorrerá nos dias 2, 3 e 4 de julho de 2025, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

E as novas cadeiras na Câmara, ficam para depois?

As sessões dos dias 25 e 26 serão virtuais e apenas para tratar de pautas consensuais, sem votações espinhosas.

A exceção pode ser a votação no Senado do projeto que muda a composição da Câmara, aumentando de 513 para 531 o número de deputados, ou seja, mais 18 cadeiras, o que significa também mais R$ 65 milhões por ano na conta do contribuinte.

Apesar de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já ter prometido colocar o projeto em votação, atendendo a um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), muitos senadores ainda não compraram a ideia. O assunto chega no momento em que o Congresso anda cobrando corte de gastos do governo.

Mas por que isso está sendo discutido agora?

Porque o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Congresso precisa atualizar a distribuição das cadeiras da Câmara com base no último Censo do IBGE, de 2022. Desde 1993 ninguém mexe nesse número. E, como a população de alguns estados cresceu, eles têm direito a mais representantes.

O problema? Se seguisse o critério à risca, alguns estados iam perder cadeiras. Um deles é justamente a Paraíba, reduto de Hugo Motta. Pra evitar confusão, os deputados resolveram aumentar o número total de vagas, dando mais assentos aos Estados que cresceram, e sem tirar nada de ninguém.

Na nova conta, ganham deputados: Amazonas (AM), Ceará (CE), Goiás (GO), Minas Gerais (MG), Mato Grosso (MT), Pará (PA), Santa Catarina (SC), Rio Grande do Norte (RN) e Paraná (PR). Naturalmente, os parlamentares desses estados, e também os que se livraram de perder espaço, estão se mexendo pra garantir que o projeto passe no Senado.

Se o Senado não votar o projeto até 30 de junho, a missão de reorganizar as cadeiras vai cair no colo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). E aí o Congresso perde o controle da brincadeira.

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