Política

Ex-comandante da FAB reafirma reunião golpista e ameaça de prisão a Bolsonaro

Segundo Baptista Júnior, general Freire Gomes disse a Bolsonaro que teria que prendê-lo caso os planos golpistas avançassem

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SBT News
21/05/2025, 16:51 • Atualizado em 22/05/2025, 00:30
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O ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior confirmou nesta quarta-feira (21), em depoimento ao STF (Supremo Tribunal Federal), que o general Freire Gomes disse, em 2022, ao então presidente Jair Bolsonaro que teria que prendê-lo caso os planos golpistas contra a eleição de Lula avançassem.

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"General Freire Gomes é uma pessoa polida e educada e obviamente ele não falou isso com agressividade com o presidente da República, mas é isso que ele falou. Com muita calma e tranquilidade, mas ele disse exatamente isso: 'se o senhor tentar fazer isso, eu vou ter que te prender'".

O ex-comandante do Exército afirmou que não ameaçou Bolsonaro nem deu ordem de prisão. Declarou que somente indicou ao então presidente que ele poderia ser "enquadrado juridicamente" caso adotasse uma medida ilegal.

O Supremo retomou as audiências da ação penal do chamado núcleo 1 sobre a trama golpista. O grupo é composto por oito réus, entre eles, Bolsonaro. Nesta quarta os ministros ouvem Baptista Junior, testemunha da acusação e da de defesa de Almir Garnier, Jair Bolsonaro e Paulo Sérgio Nogueira. Mais tarde ocorrerá a sessão plenária de julgamentos.

Veja outros pontos do depoimento do ex-comandante:

Prisão de autoridades

Baptista Júnior confirmou que houve conversas sobre a possibilidade de prisão de autoridades.

"Do ministro Alexandre de Moraes. Isso era no brainstorming das reuniões. Eu lembro bem que houve essa cogitação de prender o ministro Alexandre de Moraes, que era presidente do TSE. 'e amanhã o STF vai dar um habeas corpus pra soltar ele e vamos fazer o quê? Prender todos eles? Estava no brainstorming e ficou o desconforto".

Eleições

O ex-comandante confirmou que repassou a Bolsonaro a informação de que não havia fraude nas eleições.

"Comentei após o segundo turno nas reuniões que tivemos em 1o de novembro e dps nas cinco ou seis reunioes que tivemos com ele. Conversei com ele na reuniao do dia 14 de novembro quando ele me apresentou o relatorio do IVL (Instituto Voto Legal) com um possivel erro de programacao que poderia levar à alteracao no resultado".

Baptista Júnior disse que diversas teses e teorias de fraudes nas urnas eram levadas à Presidência da República e também chegavam ao grupo de trabalho do Ministério da Defesa que analisava as urnas por meio de convênio com o TSE. Segundo ele, Bolsonaro era informado de todas as conclusões sobre estas teses nas reuniões que participaram e também por meio do Ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

"No dia 14 de novembro, o presidente chamou o ministro da defesa e os tres comandantes. nos reunimos no salao norte e o presidente entregou uma copia a cada um de nós. Eu li e falei: esse relatorio (do IVL) está muito mal escrito. Ele contem erros. Eu usei a palavra 'sofismas' pra identificacão da urna."

Minuta de golpe

Questionado se houve, em alguma reunião, a apresentação de uma minuta de golpe, ele disse que sim.

"Foi, sim, senhor. Em 14 de dezembro no Ministério da Defesa pelo ministro Paulo Sérgio. Eu cheguei atrasado para a reunião. Almirante Garnier estava de costas pra mim, Freire Gomes de lado e Paulo Sérgio de frente. Sentei ao lado de Garnier e general Paulo Sergio disse o seguinte: trouxe um documento pra vocês verem. Confesso que não me lembro se era estado de defesa, estado de sítio. Logicamente que com base em tudo que estava acontecendo, eu questionei: esse documento prevê a nao assunção no dia 1 de janeiro do presidente eleito? Ele disse que sim e eu disse: não admito sequer receber esse documento. Não ficarei aqui. Levantei e sai".

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