Em disputa ao Senado pelo MS, Soraya Thronicke diz que recebeu apoio de Lula e vai combater “seita bolsonarista”
Senadora descreveu o que seria o estilo “Soraya Flex”, por defender pautas dos dois campos políticos rivais




Basília Rodrigues
Victoria Abel
Marcela Mattos
Senadora pelo Mato Grosso do Sul, estado mais associado à direita, Soraya Thronicke (Podemos-MS) afirmou ao SBT News que recebeu apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha à reeleição ao Senado, neste ano, e que irá combater o bolsonarismo em seu estado. Como nesta eleição estão em jogo duas vagas por unidade da federação, o PT lançou o candidato Vander Loubet (PT). Mas Soraya será a opção de Lula para segunda vaga.
“Lula disse que vai me apoiar. Eu olhei para ele e disse que ficava muito honrada, que agradeço imensamente, mas como vou devolver essa honra? E ele disse assim ‘não se mete não na campanha presidencial, vai cuidar da sua campanha. Eu vou pedir voto para você, mas você não precisa pedir voto para mim’. Fiquei de queixo caído pela grandeza”, revelou no programa Sala de Imprensa.
Soraya afirma que ouviu de Lula que precisa vê-la reeleita para segurar a democracia. O apoio do presidente ilustra a preocupação do governo com a disputa pelas vagas do Senado, onde a direita acredita que tem chances de fazer mais eleitos.
“O que pode acontecer é um golpe parlamentar, caso eles ganhem a maioria, porque nós estamos vivendo com voto de minerva. Está muito difícil sobreviver com as nossas votações”, afirmou.
Soraya contou que convive com apoiadores do governo Bolsonaro dentro da própria família, e que segue conservadora e liberal.
“O Brasil não se resume a dois homens. Não é uma questão de ser lulista ou bolsonarista. Apesar de que eu não considero os bolsonaristas de direita. O verdadeiro conservadorismo não é o de costumes. É o institucional. Então quando se é liberal na economia, não se mete na religião das pessoas, no que as pessoas estão fazendo em suas casas”, avaliou. “Considero que o bolsonarismo é uma seita, é algo a parte”, disse.
“Eu faço um paralelo, quem foi conservador? O governo Lula, que segurou, junto com o Supremo, a nossa democracia até hoje”, defendeu.
“Continuo sendo uma liberal da economia, mas com muita responsabilidade. Entendo que precisa ser o Estado necessário, e não o Estado mínimo, não é Estado ausente, é o estado necessário para população”, afirmou sobre uma mudança de pensamento que teve nos últimos anos após estudar mais sobre o modelo de privatizações no Brasil.
A senadora descreveu o que seria o estilo “Soraya Flex”, por defender pautas dos dois campos políticos rivais.
“Não precisamos colocar tudo dentro de caixinhas porque já desisti de fazer isso. As vezes, sou liberal mas em outro ponto eu acho que o estado tem que atuar. Acho que essa flexibilidade é capacidade de entender o momento. Eu trabalho tanto para agricultura familiar quanto para o agro empresarial”.
“Sou uma opção totalmente viável, de entrega de trabalho e de conduta ilibada. Agora vai das pessoas entenderem. Eu não sou flex no meu discurso para agradar, eu falo o que eu penso e o que devo falar. Eu falo na lata”, concluiu.
O programa Sala de Imprensa vai ao ar todo domingo, às 19h, no SBT News.









