Política

Em depoimentos no STF, defesa de Cid tenta mostrar colaborador como "bom militar"

Na defesa prévia, advogados do ex-ajudante de ordens já afirmavam ao STF que Cid era um "simples porta-voz" de Bolsonaro

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Paola Cuenca
22/05/2025, 15:21 • Atualizado em 22/05/2025, 16:28
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Mauro Cid em depoimento na CPMI do 8 de janeiro, no Congresso Nacional | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil

Mauro Cid em depoimento na CPMI do 8 de janeiro, no Congresso Nacional | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil

As testemunhas de defesa de Mauro César Cid foram ouvidas em audiência realizada nesta quinta-feira (22), no Supremo Tribunal Federal (STF). Militares questionados pelos advogados do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) afirmaram que tenente-coronel tinha respeito à hierarquia, não se envolvia com política e nunca iniciou conversas sobre planos golpistas.

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Foram ouvidas sete testemunhas. Uma não compareceu e foi dispensada pela defesa de Cid. Entre os ouvidos estão generais, coronéis, um sargento e um capitão do Exército. O general Júlio Cesar de Arruda, ex-comandante do Exército que ocupou cargo entre 30 de dezembro de 2022 e 21 de janeiro de 2023, foi um dos ouvidos que elogiou a postura de Cid.

"Conheço bem o tenente-coronel Cid. Conheço a família e trajetória militar dele. Comigo sempre foi muito respeitoso. Admiro a qualidade militar dele, tanto da parte operacional quanto intelectual. Ele sempre se saiu muito bem", respondeu Arruda ao ser questionado sobre o respeito de Cid à hierarquia.

Os advogados de Cid também questionaram as testemunhas se o tenente-coronel manteve diálogos ou apresentou propostas de golpe. Todos os ouvidos negaram.

"No período de janeiro de 2019 a julho de 2020, eu fui chefe de gabinete do ministro da defesa, Fernando Azevedo e Silva. Nesta época tivemos bastante contato. Em nenhum momento foi falada qualquer coisa de golpe ou atentar contra a democracia. Depois, tinha esporadicamente um contato de amizade, mas nada veio até mim. Até porque, se tivesse, eu iria alertá-lo", expôs o general Edson Ripoli, ex-chefe de gabinete do ex-ministro da Defesa.

A colaboração premiada fechada por Cid não garante a absolvição de possíveis crimes cometidos e, por isso, ele também é réu pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, organização criminosa armada e deterioração de patrimônio tombado. Para tentar um perdão ou atenuação de pena, a defesa de Cid trabalha com a estratégia de demonstrar que ele somente cumpria ordens de Bolsonaro.

Abalado

Uma das testemunhas, o capitão do Exército Raphael Maciel Monteiro, foi questionado sobre os áudios enviados por Cid em que relata ter sido pressionado a falar "coisas que não aconteceram" em depoimentos à Polícia Federal (PF). O militar, que se identificou como amigo de Cid, afirmou que o ex-ajudante de ordens ficou abalado quando "a conduta da defesa dele acabou implicando demais militares".

"Coronel Cid manteve um bom ânimo dentro da PE [Polícia do Exército], não se abalou. Acho que o abalo dele começou a partir do momento que a conduta, da defesa dele mesmo, acabou implicando demais militares. Isso provou um certo afastamento, eu arrisco dizer até mesmo institucional. Coronel Cid falou aquelas coisas, mas ele tinha essa necessidade de manter-se fiel ao dever ético militar, que é amar a verdade, e, por outro lado, não ser justamente o elemento que acaba entregando pessoas, eventualmente subordinados. Penso eu que ele tinha intenção de falar coisas muito irrefletidas e numa defesa irracional de sua honra", opinou Monteiro.

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