Política

Em depoimento, Marinho nega relação de Bolsonaro com trama golpista

Senador foi ouvido como testemunha da defesa no inquérito que investiga crime de golpe de Estado em 2022

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Paola Cuenca, Julianna Valença
02/06/2025, 22:02 • Atualizado em 03/06/2025, 00:45
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O senador Rogério Marinho (PL-RN) falou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (2) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não teve relação com uma possível trama golpista em 2022. O congressista foi ministro do Desenvolvimento Regional no governo do PL.

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Marinho afirmou que o ex-presidente não falava sobre uma tentativa de golpe de Estado. Ele foi a última pessoa ouvida nas audiências de testemunhas da investigação.

“O presidente quando falava da eleição, dizia sobre a importância de termos o Senado, o crescimento do PL. Ele ainda foi acometido por uma erisipela, estava praticamente sem poder se movimentar e recebendo soro na veia", disse. "Todas as vezes em que estive no Planalto, as conversas sempre versavam sobre esses temas: as eleições para presidente do Congresso e as próximas eleições presidenciais".

Questionado pela defesa do ex-presidente, Marinho afirmou que não tinha conhecimento de ligações entre Bolsonaro e a invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.

"Vi uma preocupação muito grande do presidente para que não houvesse excessos e que houvesse civilidade no processo de transição de governo. Porque todos nós estávamos extremamente chateados com o processo eleitoral. Não esperávamos a derrota, apesar do pleito duro", afirmou. "Eu vi o presidente preocupado que não houvesse bloqueio na rodovia, que se mantivesse o direito de ir e vir das pessoas, justamente para que não fosse colocado uma pecha de querer atrapalhar a economia ou a mudança do comando do país”.

"Núcleo 1" da tentativa de golpe

Após ouvir as testemunhas convocadas pela acusação e pela defesa, o STF vai começar no próximo dia 9 a ouvir os oito réus que fazem parte do "núcleo 1" da trama golpista. Fazem parte desse grupo:

  • Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL);
  • General Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa. Foi candidato a vice de Bolsonaro nas eleições de 2022;
  • General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almirante de esquadra Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
  • Tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • General Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército e ex-ministro da Defesa.

O primeiro integrante do governo Bolsonaro a ser ouvido no STF será Mauro Cid. Os demais, seguirão ordem alfabética.

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável pela acusação, o grupo teve papel central na tentativa de ruptura institucional em 2022. No caso de Ramagem, a investigação sobre fatos ocorridos após a posse dele como deputado, em janeiro de 2023, está suspensa até o fim do mandato.

Os réus do grupo 1 respondem por crimes de:

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • golpe de Estado;
  • Participação em organização criminosa armada;
  • Dano qualificado;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

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