Em 3 anos, eventos de 8 janeiro se esvaziam e viram palanque exclusivo de Lula e esquerda
Atos já reuniram cúpula dos Três Poderes e políticos de diferentes correntes


Ranier Bragon
Os atos institucionais comandados pelo governo federal após os ataques de 8 de janeiro de 2023 se esvaziaram ao longo dos anos e, de eventos que contaram com a participação das cúpulas dos três Poderes, chegaram nesta quinta-feira (8) com a presença quase exclusiva de governistas e da esquerda.
Logo após os atos golpistas que depredaram a sede dos Três Poderes, Lula comandou reuniões com Congresso, STF e governadores, tendo simbolizado a união em defesa das instituições em uma caminhada entre o Palácio do Planalto e o STF na noite do dia 9 de janeiro de 2023.
A solenidade de 1 ano dos ataques, em janeiro de 2024, foi realizada no Salão Negro do Congresso Nacional e teve a participação das cúpulas dos Poderes, mas já registrava algumas baixas notáveis, a principal delas a do então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
O centrão, que tem em Lira um de seus principais líderes, também esvaziou em parte o ato, em um sinal claro de que já naquela época reunia apoio majoritário à aprovação de uma anistia ou de uma redução de penas a condenados.
Apesar disso, algumas figuras de liderança do grupo compareceram na ocasião, como os líderes das bancadas do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA), e do MDB, Isnaldo Bulhões Jr. (AL).
Em janeiro de 2025, o evento de dois anos do 8 de janeiro foi transferido para o Palácio do Planalto e, dessa vez, foi completamente boicotado pela cúpula do Congresso e pelo centrão.
Na ocasião, a justificativa foi de que a solenidade havia perdido a sua função de defesa apartidária das instituições, tendo virado um palanque político-eleitoral para Lula e as esquerdas.
Tanto em 2023, 2024 e 2025 o STF esteve presente, em especial o ministro Alexandre de Moraes, que relatou e foi a principal figura jurídica do julgamento da trama golpista.
No discurso que fez em 2024, por exemplo, Moraes fez uma manifestação enfática contra o perdão aos atos, lembrando, para isso, a fracassada política de apaziguamento patrocinada pelas potências europeias durante a ascensão nazista.
Com a condenação de Jair Bolsonaro, em 2025, políticos dizem avaliar que a presença do STF no ato promovido pelo governo poderia reforçar as críticas de viés político na decisão tomada pela corte --o ex-presidente da República foi condenado a 27 anos de prisão e já cumpre a pena em uma cela da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Lula anunciou no evento desta quinta o veto ao projeto de redução das penas dos condenados por atos golpistas, texto que passou na Câmara e no Senado por larga margem de apoio.
Em vários momentos da solenidade, Lula foi aplaudido e ouviu gritos de apoio da plateia majoritariamente formada por apoiadores, assessores e integrantes de movimentos sociais.
Um dos principais gritos puxados pelos apoiadores foi o "sem anistia".
Como mostrou o SBT News, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), têm dito a aliados que vão tratar como prioridade a derrubada do veto logo após a volta dos trabalhos do Congresso, em fevereiro.









