Eleições de 2026 devem ampliar distanciamento entre Centrão e Lula, avalia cientista político
Cláudio Couto afirma que maior controle do Congresso sobre o orçamento federal reduziu os poderes do Executivo
J
Jessica Cardoso
O presidente Lula | Marcelo Camargo/Agência Brasil
Com a aproximação das eleições presidenciais de 2026, o Centrão, bloco informal formado por partidos como PSD, MDB, Republicanos e União Brasil, deve ampliar o distanciamento do governo Lula, segundo Cláudio Couto, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
“Temos uma grande parte do Congresso não alinhado ideologicamente ao presidente, tendente a embarcar em uma candidatura de outro campo político”, afirmou o especialista em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News, nesta quarta-feira (2).
Em relação aos deputados que apoiam Lula, membros de partidos como PDT e PSDB, Couto avaliou que eles se distanciaram do governo ao votarem contra o decreto presidencial do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) por serem sensíveis às pressões de grupos econômicos e interesses setoriais.
Para o especialista, o Congresso é fortemente pressionado por interesses econômicos e lobbies que defendem setores poderosos. Esse fator dificulta ainda mais a construção de consenso e a aprovação de medidas importantes, especialmente aquelas relacionadas ao ajuste fiscal e à reforma tributária, comprometendo a efetividade da agenda econômica do governo.
“Temos uma soma de fatores. Por um lado, o interesse eleitoral em apoiar outras candidaturas. Por outro, a influência econômica que mantém parlamentares, mesmo aliados, contra o governo em votações cruciais”, afirmou o cientista político.
O professor avalia ainda que o cenário dificulta a obtenção de apoio para reformas e medidas econômicas, especialmente diante da distância ideológica entre o presidente e a maioria dos parlamentares.
“Relacionada à questão do Orçamento, há uma dificuldade muito grande de fazer qualquer política de ajuste fiscal porque, mesmo que o Executivo tenha a intenção de mudar a estrutura das contas públicas, ele não consegue apoio do Legislativo. Em parte, porque o Legislativo não abre mão do controle sobre muitos recursos orçamentários, mas também pelo fato de que o Congresso é muito sensível aos interesses de grandes grupos econômicos”, afirmou.
Eleições de 2026 devem ampliar distanciamento entre Centrão e Lula, avalia cientista políticoCláudio Couto afirma que maior controle do Congresso sobre o orçamento federal reduziu os poderes do ExecutivoPolítica2025-07-02T22:26:58.275ZCom a aproximação das eleições presidenciais de 2026, o Centrão, bloco informal formado por partidos como PSD, MDB, Republicanos e União Brasil, deve ampliar o distanciamento do governo Lula, segundo Cláudio Couto, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Temos uma grande parte do Congresso não alinhado ideologicamente ao presidente, tendente a embarcar em uma candidatura de outro campo político”, afirmou o especialista em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News, nesta quarta-feira (2). Em relação aos deputados que apoiam Lula, membros de partidos como PDT e PSDB, Couto avaliou que eles se distanciaram do governo ao votarem contra o decreto presidencial do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) por serem sensíveis às pressões de grupos econômicos e interesses setoriais. Para o especialista, o Congresso é fortemente pressionado por interesses econômicos e lobbies que defendem setores poderosos. Esse fator dificulta ainda mais a construção de consenso e a aprovação de medidas importantes, especialmente aquelas relacionadas ao ajuste fiscal e à reforma tributária, comprometendo a efetividade da agenda econômica do governo. “Temos uma soma de fatores. Por um lado, o interesse eleitoral em apoiar outras candidaturas. Por outro, a influência econômica que mantém parlamentares, mesmo aliados, contra o governo em votações cruciais”, afirmou o cientista político. Perguntado sobre a , Couto explicou que isso não se deve somente aos conflitos recentes após a derrubada do decreto do IOF. O motivo principal são mudanças institucionais na última década, quando o Congresso passou a controlar grande parte do orçamento federal. “Isso tirou poder do presidente da República e deu poder para o Congresso, criando uma coisa que eu tenho chamado de governo congressual”, disse. Segundo Couto, o Congresso dita a agenda, enquanto o Executivo “vai de carona” e perde autonomia para implementar suas políticas. O professor avalia ainda que o cenário dificulta a obtenção de apoio para reformas e medidas econômicas, especialmente diante da distância ideológica entre o presidente e a maioria dos parlamentares. “Relacionada à questão do Orçamento, há uma dificuldade muito grande de fazer qualquer política de ajuste fiscal porque, mesmo que o Executivo tenha a intenção de mudar a estrutura das contas públicas, ele não consegue apoio do Legislativo. Em parte, porque o Legislativo não abre mão do controle sobre muitos recursos orçamentários, mas também pelo fato de que o Congresso é muito sensível aos interesses de grandes grupos econômicos”, afirmou. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/eleicoes-de-2026-devem-ampliar-distanciamento-do-centrao-de-lula-avalia-cientista-politico
Governo aguarda nova tarifa dos EUA antes de definir ajuda
Ministério da Indústria espera anúncio de possível sobretaxa de 12,5% na sexta-feira; nova rodada de tarifas da Casa Branca deve atingir cerca de 60 países
Zelensky anuncia troca no comando militar após protestos
Presidente da Ucrânia nomeia general de 43 anos para liderar as Forças Armadas após mudanças no governo e pressão por estratégias no conflito com a Rússia