Política

Dívidas: Lula e Flávio não têm visão clara, diz economista

Monica Baumgarten de Bolle afirma que eleitor chega às urnas sem clareza sobre economia, dívida e juros

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Caroline Vale, Roberta Russo
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) fazem campanha em Santa Catarina. | Divulgação/Flickr Lula/Ricardo Stuckert --  Reprodução/SCC10

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) fazem campanha em Santa Catarina. | Divulgação/Flickr Lula/Ricardo Stuckert -- Reprodução/SCC10

Os eleitores brasileiros chegarão às urnas no próximo domingo (4) sem clareza sobre as propostas econômicas dos principais candidatos à Presidência, especialmente quando o assunto é soluções para a dívida pública. Essa é a análise feita pela economista Monica Baumgarten de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics (PIIE), em entrevista ao Radar News, do SBT News, nesta quinta-feira (1º).

“A sensação que dá é que o eleitor vai às urnas no domingo às cegas em relação às propostas econômicas dos candidatos”, disse.

Segundo Monica, faltam propostas claras sobre política fiscal, juros, crescimento econômico e endividamento das famílias. Para ela, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que lideram as pesquisas, não apresentam visões claras para enfrentar esses problemas.

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A dívida pública brasileira aumentou nos últimos tempos e está próxima de 83% do PIB, segundo a economista. Para Monica, é preciso encontrar uma solução, mas o ajuste não poderá ser imediato devido às dificuldades políticas e à complexidade da questão fiscal.

"O governo Lula, eu imagino, vai ser um pouco mais do mesmo na condução dessa questão. E um eventual governo Flávio Bolsonaro tem, pelo menos, seus assessores econômicos, usado o caso da Argentina para falar sobre o Brasil, o que é de uma idiossincrasia sem limite, porque a Argentina não tem absolutamente nada a ver com o Brasil", comentou.

A economista também avaliou que o custo de vida ganhou espaço nas campanhas, principalmente entre eleitores endividados. Na avaliação dela, porém, os dois candidatos falham tanto no diagnóstico quanto nas propostas para enfrentar o problema.

Monica também falou sobre o impacto das apostas online no endividamento das famílias. Ela afirmou que ainda não há dados para medir esse efeito, mas destacou que as bets representam um problema econômico e de saúde pública.

“O que nós precisamos ver de cada um dos candidatos são soluções mais permanentes para esse problema das bets, por proibições e não apenas por uma regulação muito maior desse segmento, das bets e das apostas online, mas que precisa também ser endereçado sob o ponto de vista da saúde pública. Nesse momento, a proibição é, de certa forma, bem-vinda, mas ela é um tapa-buraco”, disse.

Para Monica, a atual eleição se diferencia pela falta de discussão sobre a economia. “Essa é a primeira eleição que eu vejo na realidade em que não se discute a economia”, afirmou.

"Nós não temos a menor ideia do que vai acontecer com as políticas para desenvolvimento e crescimento econômico. (...) É inédito esse quadro. Nós nunca tivemos uma discussão, uma eleição tão esvaziada de debate econômico como está sendo essa eleição de agora."

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