Política

Deputado Marcel van Hattem falta a depoimento na Polícia Federal

Parlamentar é investigado pela prática de crimes contra a honra e denunciação caluniosa; defesa enviou manifestação escrita à PF

G
Guilherme Resck
06/11/2024, 19:12 • Atualizado em 06/11/2024, 19:32
compartilhar
Especialistas não veem a possibilidade de van Hattem ter cometido crime pela ausência | Mário Agra/Câmara dos Deputados

Especialistas não veem a possibilidade de van Hattem ter cometido crime pela ausência | Mário Agra/Câmara dos Deputados

O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) não compareceu ao depoimento que estava marcado para terça-feira (5) na Polícia Federal, em Brasília. Ele é investigado pela suposta prática de crimes contra a honra, ameaça-perseguição e denunciação caluniosa, devido a declarações feitas no plenário da Câmara sobre o delegado da PF Fábio Shor em agosto.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

No dia 14 daquele mês, empunhando uma fotografia do delegado, van Hattem o chamou de "abusador de autoridade" ao comentar sobre mandados de prisão contra os blogueiros bolsonaristas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio. "Não tenho medo de falar e repito, eu quero que as pessoas saibam, sim, quem é este dito policial federal que fez vários relatórios absolutamente fraudulentos contra pessoas inocentes, inclusive contra [o ex-assessor de Jair Bolsonaro] Filipe Martins", pontuou também. Além disso, disse que o delegado estava agindo como "bandido".

Apesar de o parlamentar não comparecer ao depoimento, van Hattem enviou uma manifestação escrita à Polícia Federal em que justifica a ausência dizendo que tinha compromissos parlamentares previamente agendados e que o próprio documento é suficiente para "recompor os fatos".

A manifestação é assinada também por seu advogado, Alexandre Wunderlich. Eles defendem o arquivamento do caso.

"É cediço [notório] que a instauração do presente apuratório serve para constranger o parlamentar, que inquestionavelmente tem sua imunidade constitucional ofendida, uma vez que os deputados e senadores são invioláveis, no âmbito civil, administrativo e penal, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos", afirmam.

"No caso específico, independentemente de qualquer concepção teórica sobre o conteúdo da imunidade parlamentar, o deputado não teceu ofensa pessoal particularizada ou ataque à honra da pessoa do suposto ofendido", acresentam. Ainda conforme a manifestação, "o parlamentar gaúcho não praticou os tipos legais de crime de ameaça-perseguição e de denunciação caluniosa". O relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) é o ministro Flávio Dino.

Van Hattem pode ser punido por faltar ao depoimento?

O SBT News procurou especialistas da área do direito criminal para saber se o deputado pode sofrer alguma punição por não comparecer ao depoimento na terça ou ser conduzido coercitivamente para falar à PF.

Segundo o advogado criminalista e ex-delegado de polícia João Ibaixe Jr., como o congressista é investigado no caso, não pode ocorrer condução coercitiva. "Esta é só para testemunhas, de acordo com a lei", pontua.

O especialista não vê a possibilidade de van Hattem ter cometido crime pela ausência, por haver o direito constitucional de manter-se em silêncio e o parlamentar ter se manifestado por escrito.

"Se o delegado insistir em ouvi-lo e ele não comparecer, poderá eventualmente ser determinado o indiciamento indireto, a critério do mesmo delegado", ressalta João Ibaixe Jr.

O advogado criminalista Bruno Viana afirma que van Hattem não incorre em nenhum crime por não comparecer ao depoimento. "Podemos compreender a atitude dele como um desdobramento da garantia ao silêncio. Isto é, o direito de não ser obrigado a produzir prova contra si mesmo", acrescenta.

Ele reforça ainda que a condução coercitiva é aplicável apenas "a testemunhas que, embora regularmente intimadas, não compareceram a ato policial ou judicial".

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Camisa de Pelé na final de 1958 é vendida por R$ 25 mi

Camisa de Pelé na final de 1958 é vendida por R$ 25 mi

Imagem da notícia: Quem é a influenciadora presa por 'Boa Noite, Cinderela'

Quem é a influenciadora presa por 'Boa Noite, Cinderela'

Imagem da notícia: Justiça rejeita recurso de Dr. Jairinho no caso Henry Borel

Justiça rejeita recurso de Dr. Jairinho no caso Henry Borel

Imagem da notícia: Moraes proíbe visitas políticas a Bolsonaro até após eleição

Moraes proíbe visitas políticas a Bolsonaro até após eleição

Imagem da notícia: Camisa de Pelé na final de 1958 é vendida por R$ 25 mi

Camisa de Pelé na final de 1958 é vendida por R$ 25 mi

Imagem da notícia: Quem é a influenciadora presa por 'Boa Noite, Cinderela'

Quem é a influenciadora presa por 'Boa Noite, Cinderela'

Imagem da notícia: Justiça rejeita recurso de Dr. Jairinho no caso Henry Borel

Justiça rejeita recurso de Dr. Jairinho no caso Henry Borel

Imagem da notícia: Moraes proíbe visitas políticas a Bolsonaro até após eleição

Moraes proíbe visitas políticas a Bolsonaro até após eleição

Últimas notícias

'Prévia do PIB' do BC mostra crescimento de 0,1% em maio

O indicador IBC-Br, divulgado nesta sexta-feira (17), indicou estabilidade em relação a abril

Polícia procura casal de pastores por abuso contra meninas

Segundo a Polícia Civil, líderes religiosos usavam a posição na congregação para conquistar a confiança das vítimas; mais de dez jovens já prestaram depoimento

PGR defende manter domiciliar de Bolsonaro apesar de carta

Manifestação diz que ex-presidente violou incomunicabilidade após leitura de documento por Flávio, mas que ato não justifica retorno ao regime fechado

Lula afirma que quer travar ‘guerra da verdade’ com Trump

Presidente ainda comentou que quer provar ao mundo quem está falando a verdade na guerra tarifária

Defesa de Bolsonaro pede autorização para visita de Milei

Advogados afirmam que encontro está previsto para 25 de julho e foi previamente comunicado pelas autoridades argentinas

Venezuela: mortos por terremotos passam de 5.000

O número de pessoas sem moradia se mantém em 17.907, de acordo com balanço divulgado na conta do Telegram do presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez