Política

Defesa pede que Moraes libere manifestações de Bolsonaro

Advogados citaram caso de Lula em 2018 para argumentar que restrições de comunicação do ex-presidente extrapolam a Constituição

Avatar de José Matheus Santos
Avatar de Victor Schneider
José Matheus Santos, Victor Schneider
Ex-presidente Jair Bolsonaro chega à sua casa em Brasília para cumprir prisão domiciliar após receber alta hospitalar | 27/03/2026/Reuters/Adriano Machado

Ex-presidente Jair Bolsonaro chega à sua casa em Brasília para cumprir prisão domiciliar após receber alta hospitalar | 27/03/2026/Reuters/Adriano Machado

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira (24) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para rever as restrições de comunicação impostas no período em que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Os advogados contestam a decisão da última semana que proibiu o ex-presidente de receber visitas com fins políticos até o fim das eleições e de divulgar manifestos eleitorais, inclusive por meio de terceiros.

O pano de fundo da decisão foi a leitura de uma carta escrita à mão por Bolsonaro por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante live exibida no YouTube em 11 de julho. O documento ungia Flávio como “porta-voz” do ex-presidente e pedia pacificação interna na pré-campanha, em recado interpretado como um pedido público de trégua entre o filho e sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Depois da leitura, Moraes impôs as novas restrições e proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias, o que na prática impede qualquer comunicação entre os dois até o primeiro turno das eleições.

No agravo regimental enviado à Primeira Turma, a defesa argumenta que a suspensão de direitos políticos com a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão não deveria anular a liberdade de expressão, e que impedir sua manifestação por completo é uma forma de censura prévia. A peça diz que Moraes usa de uma interpretação alargada do artigo 15 da Constituição, que estabelece que a suspensão dos direitos políticos limita-se à capacidade de votar e se candidatar a um cargo público, sem prejuízo à liberdade de expressão ou de manifestação do pensamento.

Os advogados fazem um paralelo com a conduta da Justiça no período em que o agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), nas eleições de 2018.

Entre os casos citados estão a divulgação de uma carta escrita por Lula e lida publicamente em 11 de setembro daquele ano pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. Nele, o petista anunciava a desistência de concorrer às eleições e apontava Fernando Haddad (PT) como seu candidato.

“O documento, de inequívoco conteúdo político-eleitoral, foi lido publicamente por um de seus advogados durante ato realizado em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, servindo como instrumento de comunicação política entre o condenado e seus apoiadores, sem que essa forma de divulgação fosse compreendida como incompatível, por si só, com o regime de execução da pena", argumentam.

A defesa cita ainda autoridades políticas que estiveram com Lula na prisão em diferentes ocasiões, como Gleisi Hoffmann, então presidente do PT, e Carlos Lupi, do PDT; além do presidente do Uruguai, Pepe Mujica, do ex-premiê italiano Massimo D'Alema e de Alberto Fernández, que viria a ser eleito presidente da Argentina no ano seguinte.

A peça reconhece que a condenação de Lula ainda não havia transitado em julgado, mas que mesmo isso não foi considerado para impedi-lo de se manifestar sobre o processo eleitoral daquele ano.

“A hipótese acima descrita apenas confirma que a própria execução penal em si jamais foi compreendida como fonte autônoma de restrições à interlocução política ou à divulgação, por terceiros, de manifestações escritas de conteúdo político-partidário", dizem os advogados.

Bolsonaro havia solicitado autorização para receber uma visita do presidente da Argentina, Javier Milei, que estará em São Paulo no sábado (25) para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente pelo PL. Sem a permissão de Moraes, Milei deve se encontrar apenas com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: PSD oficializa Omar Aziz ao governo do Amazonas

PSD oficializa Omar Aziz ao governo do Amazonas

Imagem da notícia: Netanyahu declara apoio a Flávio em convenção do PL

Netanyahu declara apoio a Flávio em convenção do PL

Imagem da notícia: Lula: quem interferir nas eleições "vai apanhar muito"

Lula: quem interferir nas eleições "vai apanhar muito"

Imagem da notícia: PDT oficializa Juliana Brizola ao governo do RS

PDT oficializa Juliana Brizola ao governo do RS

Imagem da notícia: PSD oficializa Omar Aziz ao governo do Amazonas

PSD oficializa Omar Aziz ao governo do Amazonas

Imagem da notícia: Netanyahu declara apoio a Flávio em convenção do PL

Netanyahu declara apoio a Flávio em convenção do PL

Imagem da notícia: Lula: quem interferir nas eleições "vai apanhar muito"

Lula: quem interferir nas eleições "vai apanhar muito"

Imagem da notícia: PDT oficializa Juliana Brizola ao governo do RS

PDT oficializa Juliana Brizola ao governo do RS

Últimas notícias

PL 'dribla' STF e exibe Jair Bolsonaro em vídeo de IA

Mensagem do ex-presidente foi exibida durante evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência após restrições impostas por Moraes

Haddad é oficializado candidato ao governo de São Paulo

Convenção realizada em Campinas reuniu Lula, Alckmin, Marina e Tebet e foi marcada por críticas ao governo Tarcísio de Freitas

Associação dos delegados da PF vê risco para caso Master

Em entrevista ao SBT News, presidente da entidade dos delegados da PF diz que corporação aprendeu com anulações, segue protocolos e atua com preocupação

Paiva: “Delegados da PF estão insatisfeitos com o governo”

Presidente da Associação Nacional de Delegados de PF critica governo, cobra lei de autonomia e expõe incômodo da categoria com Andrei Rodrigues

Flávio: "Posso ser moderado, mas tenho sangue de Bolsonaro"

Senador oficializa candidatura ao Planalto, promete manter legado do pai e diz que o Brasil precisa ser "libertado" do PT

Ao lado de Flávio, Milei foca em "socialismo" e ataca Moraes

Presidente argentino chama ministro do STF de alerta para avanço do socialismo no Brasil e associa Lula à disseminação do comunismo na América Latina