CPI aprova quebra de sigilo de cunhado de Vorcaro e acesso a informações sobre morte de Sicário
Fabiano Zettel é apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro e está preso desde a semana passada; Sicário morreu nas dependências da PF

Valentina Moreira
Victor Schneider
A CPI do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (11) uma série de requerimentos envolvendo figuras envolvidas no caso Master. Entre eles estão o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro e preso junto ao banqueiro na terceira fase da Operação Compliance Zero na última semana.
A comissão solicitou a quebra de sigilos bancário e fiscal de Zettel com dados que vão até março e também pediu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) acesso aos relatórios com informações telefônicas, telemáticas (e-mails) e sobre movimentações financeiras de Zettel que remontam ao início de 2020.
Além disso, a comissão também aprovou um requerimento para ter acesso a informações sobre a morte de Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão, o “Sicário”, além de dados de quebras de sigilo. Também preso durante a terceira fase da Compliance Zero, ele estava na Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais quando atentou contra a própria vida, segundo a corporação.
"Sicário" foi resgatado com vida e encaminhado ao Hospital Luiz XXIII, mas não resistiu. Ele teve a morte confirmada na noite da última sexta-feira (6), após a conclusão do protocolo de morte encefálica, e foi enterrado em Belo Horizonte.
Gravações da cela em que ele estava detido foram enviadas na íntegra ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, para análise. É a esse material que a comissão pede acesso.
A sessão aprofunda o papel da CPI do Crime Organizado na apuração de fatos envolvendo o caso Master. Na prática, o objeto da comissão é investigar a estruturação, expansão e o funcionamento de organizações criminosas, com foco em milícias e facções. O escopo amplo, somado a novas revelações sobre a estrutura violenta e coerciva do esquema de Vorcaro, abriram margem para que o caso também fosse investigado pela CPI.
Banco Central
A CPI também aprovou a convocação de Paulo Sérgio de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC.
Ambos são citados pela Polícia Federal como tendo sido cooptados pelo esquema de Vorcaro nos últimos anos para auxiliar o Master no trato com o BC e proteger o banco do escrutínio da autoridade monetária.
A comissão também pede ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que informe detalhes sobre os procedimentos disciplinares que culminaram no afastamento dos servidores do BC, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que preste informações sobre a Compliance Zero.
Empresas
Além disso, a CPI aprovou o pedido para acessar os relatórios de quebras de sigilos das empresas King Participações Imobiliárias, King Motors Locação de Veículos e Participações e Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal LTDA. Essas empresas são tidas pela PF como fachadas para a lavagem de dinheiro por Vorcaro.
Outros
Quebras de sigilos:
- Francisco Emerson Maximiano: empresário conhecido por ser dono da Precisa Medicamentos. Já foi alvo de investigações em outras comissões (como a CPI da Pandemia) por contratos com o governo;
- Danilo Berndt Trento: empresário e diretor da empresa Prima Vitalia. Possui histórico de relações comerciais com Francisco Maximiano e também já prestou depoimentos em investigações anteriores sobre contratos públicos;
- Mohamad Hussein Mourad: o “Primo", empresário e ex-deputado estadual por São Paulo, alvo da Operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro e fraude no mercado de combustíveis;
- Roberto Augusto Leme da Silva: o “Beto Louco", também alvo da Carbono Oculto pelo mesmo esquema.
Convocações:
- Vladimir Timerman: fundador da Esh Capital;
- Leonardo Augusto Furtado Palhares: administrador da Varajo Consultoria Empresarial;
- Ana Claudia Queiroz de Paiva: sócia da empresa Super Empreendimentos e Participações S.A;
- Marilson Roseno da Silva: escrivão aposentado da Polícia Federal.









