"Não objeção", afirma presidente do FGC em conversa com Vorcaro sobre tentativa de salvar o banco
Presidente de Fundo Garantidor de Crédito antecipou ao banqueiro que venda de ativos teria validade, em meio a operação de Vorcaro para não perder o Master

Em conversa apreendida pela Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro procura o presidente do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Daniel Lima, para saber se conseguirá vender ativos pessoais, em uma operação para salvar o banco Master.
O diálogo ocorreu em 2025, antes do Banco Central decretar a liquidação.
Lima antecipa para o banqueiro o resultado de reunião do órgão, que serve de colchão reserva para bancos privados, e diz que a operação dará certo. Vorcaro queria vender ativos como pessoa física para o banco BTG e a seguradora Kovr, e precisava de avaliação favorável do FGC.
Por volta de 21h, Vorcaro encaminha mensagem para Lima em que diz
“se puder me mandar uma mensagem quando terminar a reunião para saber como ficou, seria ótimo”. Daniel Lima responde, por volta de 22h30, “se não tiver ninguém mudando de ideia, as cartas sairão até as 12h amanhã com resultado positivo para BTG e Kovr!”, explica. “Não objeção”, complementa.
Vorcaro chega a responder com uma imagem (figurinha) de agradecimento.

Pelas regras de governança do fundo, as comunicações entre os associados (bancos e instituições) devem ser formalizadas. Mas o contato direto com o presidente, por aplicativo de mensagem, foi minimizado pelo FGC.
Em nota, o fundo diz ter comunicações intensas com os associados, principalmente aqueles que estejam em “adversidade financeira”.
O Fundo Garantidor de Crédito é abastecido por vários bancos, mas acabou impactado de uma só vez pela liquidação do Master. O FGC precisou desembolsar cerca de R$ 40 bilhões para ressarcir clientes prejudicados apenas pelo banco Master.
Em depoimento à PF, em dezembro, Daniel Vorcaro contou que o plano de negócio do Master era 100% baseado no FGC, para socorrer o banco contra o recorrente problema de liquidez. Ou seja, na falta de recursos para honrar compromissos, Vorcaro admitiu que contava com o FGC. “Essa era a regra do jogo”, disse à investigação.
O fundo também está em processo de registro de dados de clientes lesados por outros bancos liquidados em seguida, e com relações com o Master, o Will Bank e o Pleno.
Leia nota do FGC encaminhada ao SBT News sobre relacionamento com o Master:
O FGC mantém relacionamento institucional com suas associadas, particularmente e intensamente com aquelas que enfrentam cenário de adversidade e recorrem ao fundo pleiteando suporte financeiro, nos termos previstos no Estatuto do FGC.
No caso mencionado, a deliberação pela não objeção já havia sido tomada pela alçada competente e se estimava que o documento formal seria expedido no prazo indicado na mensagem. Daniel Vorcaro comunicou ao FGC intenção de alienar com urgência ativos de sua propriedade e pediu manifestação do Fundo a este respeito, o que era condição imposta pelos candidatos a compra dos ativos.
Diante das dificuldades financeiras e necessidade de recursos para honrar os compromissos, o FGC manifestou-se pela não objeção à alienação, desde que observadas uma série de condições. Entre elas, a demonstração, por parte de Daniel Vorcaro, de esforços efetivos para maximizar os valores obtidos com as vendas de ativos, bem como a destinação integral desses recursos para capitalização do banco.
































































































































































































