Conveniência? Pretos e pardos são maioria entre candidatos
Senador Paulo Paim (PT-RS) questiona uso da autodeclaração racial por campanhas, para acessar políticas de ações afirmativas: “afroconveniência eleitoral”
Mariana Botta
Senador Paulo Paim (PT-RS) fala sobre "afroconveniência eleitoral". | Foto: Reprodução site senadorpaim.com.br
Candidaturas de pessoas que se declaram pretas ou pardas representam 49,4% do total registrado para as eleições de 2026, segundo dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disponíveis online. São 7.408 autodeclarados pardos (35,83%) e 2.815 pretos (13,62%) que, juntos, ultrapassam o número de brancos: 10.151 (49,1%).
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Além de estar relacionado a uma maior identificação racial, o aumento de pessoas que se declaram pretas ou pardas pode ter diferentes motivações, nem sempre correspondentes à experiência de sofrer racismo ou à percepção das desigualdades relacionadas à raça.
Há casos em que pode estar sendo utilizada como estratégia de campanha, para acessar políticas de ações afirmativas, numa prática que vem sendo chamada de “afroconveniência eleitoral”. A expressão descreve casos em que uma pessoa se declara negra para obter benefícios de políticas afirmativas, como as cotas raciais.
"Muitos que nunca se identificaram como negro, passam a partir desse momento, a assumir uma negritude, entre aspas, para que eles tenham direito ao financiamento maior para sua campanha e também mais espaço na televisão. [Com isso,] você tá tirando um percentual daqueles que realmente sofreram o preconceito nesse país", falou em plenário.
Mas, há ainda outra questão: as cotas para o financiamento de candidaturas de pessoas negras e de mulheres também são alvos de questionamentos quanto ao correto cumprimento das regras pelos partidos políticos.
Para Paim, a prática da não aplicação das cotas, somada aos casos de autodeclaração racial para a obtenção de vantagens eleitorais, dificulta o aumento da presença de pessoas pretas e pardas nos espaços de poder e decisão. Ele diz não acreditar que as regras serão cumpridas integralmente nas eleições deste ano.
"Fiz uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, para ver se cumpriram ou não cumpriram o que manda a legislação em relação à política de cotas, principalmente para o povo negro, mas também para as mulheres. E foi denúncia para todo lado, de grande parte dos partidos. Pelas informações que estão chegando, [este ano] não será diferente. Me parece que vai ter repeteco."
Segundo a Rádio Senado, de 2022 a 2026, 786 candidatos mudaram sua declaração de cor junto ao TSE: a maioria transitou de branco para pardo. (Com informações da Agência Senado)
Conveniência? Pretos e pardos são maioria entre candidatos Senador Paulo Paim (PT-RS) questiona uso da autodeclaração racial por campanhas, para acessar políticas de ações afirmativas: “afroconveniência eleitoral”Política2026-08-20T21:42:48.941ZCandidaturas de pessoas que se declaram pretas ou pardas representam 49,4% do total registrado para as eleições de 2026, segundo dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disponíveis online. São 7.408 autodeclarados pardos (35,83%) e 2.815 pretos (13,62%) que, juntos, ultrapassam o número de brancos: 10.151 (49,1%). 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique e siga o canal do SBT News. Além de estar relacionado a uma maior identificação racial, o aumento de pessoas que se declaram pretas ou pardas pode ter diferentes motivações, nem sempre correspondentes à experiência de sofrer racismo ou à percepção das desigualdades relacionadas à raça. Há casos em que pode estar sendo utilizada como estratégia de campanha, para acessar políticas de ações afirmativas, numa prática que vem sendo chamada de “afroconveniência eleitoral”. A expressão descreve casos em que uma pessoa se declara negra para obter benefícios de políticas afirmativas, como as cotas raciais. Ao comentar os impactos dessa prática para a representação política e a democracia, o senador Paulo Paim (PT-RS) lembra que, desde a emenda constitucional 133 de 2024, . Nesse ponto, a afroconveniência estaria sendo uma estratégia de campanha. "Muitos que nunca se identificaram como negro, passam a partir desse momento, a assumir uma negritude, entre aspas, para que eles tenham direito ao financiamento maior para sua campanha e também mais espaço na televisão. [Com isso,] você tá tirando um percentual daqueles que realmente sofreram o preconceito nesse país", falou em plenário. Mas, há ainda outra questão: as cotas para o financiamento de candidaturas de pessoas negras e de mulheres também são alvos de questionamentos quanto ao correto cumprimento das regras pelos partidos políticos. Para Paim, a prática da não aplicação das cotas, somada aos casos de autodeclaração racial para a obtenção de vantagens eleitorais, dificulta o aumento da presença de pessoas pretas e pardas nos espaços de poder e decisão. Ele diz não acreditar que as regras serão cumpridas integralmente nas eleições deste ano. "Fiz uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, para ver se cumpriram ou não cumpriram o que manda a legislação em relação à política de cotas, principalmente para o povo negro, mas também para as mulheres. E foi denúncia para todo lado, de grande parte dos partidos. Pelas informações que estão chegando, [este ano] não será diferente. Me parece que vai ter repeteco." Segundo a Rádio Senado, de 2022 a 2026, 786 candidatos mudaram sua declaração de cor junto ao TSE: a maioria transitou de branco para pardo. (Com informações da Agência Senado) São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/conveniencia-pretos-e-pardos-sao-maioria-entre-candidatos