Política

Com o presidente da Itália, Lula reforça interesse em acordo Mercosul e União Europeia

Em visita oficial de Sergio Mattarella, petista afirma que europeus precisam resolver "contradições internas"

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Raphael Felice
15/07/2024, 16:51 • Atualizado em 15/07/2024, 16:51
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Com o presidente da Itália, Lula reforça interesse em acordo Mercosul e União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o interesse em firmar o acordo entre Mercosul e União Europeia durante uma declaração conjunta com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, nesta segunda-feira (15). O chefe do poder Executivo brasileiro, afirmou que os europeus precisam resolver suas “contradições internas” para efetivar o acordo.

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“Como fiz na recente Cúpula do Mercosul em Assunção, reiterei ao presidente italiano o interesse do Brasil em concluir, o quanto antes, um acordo com a União Europeia que seja equilibrado e que contribua para o desenvolvimento das duas regiões. Explicitei que o avanço das negociações depende de os europeus resolverem suas próprias contradições internas”, disse.
“Medidas como a taxa de carbono imposta de forma unilateral pela União Europeia podem afetar cinco dos dez produtos brasileiros mais exportados para o mercado italiano. A redução das emissões de CO2 é um imperativo, mas não deve ser feita com base em medidas unilaterais que vão impactar as vidas dos produtores brasileiros e dos consumidores italianos”, completou Lula.

Mattarella concordou com Lula sobre o tema, e afirmou que a cooperação entre blocos de dois continentes é importante para a manutenção da paz no mundo e as relações diplomáticas.

A visita

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, foi recebido com honras de chefe de estado. Subiu a rampa do Palácio do Planalto e recebeu honrarias como a medalha da Ordem Cruzeiro do Sul, condecoração máxima dada a chefes de estado estrangeiros. A visita faz parte também da comemoração dos 150 anos da imigração italiana para o Brasil e foi a primeira de um chefe de estado italiano ao país em 24 anos.

As cerimônias começaram por volta das 11h. Ao chegar no Salão Nobre do Palácio do Planalto para aguardar a chegada de Mattarella, Lula sorriu para a imprensa presente com cumprimentos em italiano: “buongiorno” - bom dia em italiano.

Integrantes dos governos brasileiro e italiano assinaram uma série de acordos, como o de conversão de carteira de habilitação nos dois países.

Transição energética

Lula lembrou as principais pautas no âmbito da presidência do Brasil no G20, o combate à fome e a redução de emissão de gás carbônico via transição energética. O chefe de estado brasileiro lembrou ainda que a Itália, na presidência do G7, convidou o Brasil para participar de um comitê de segurança alimentar no âmbito do grupo. Em retribuição, o governo brasileiro convidou a Itália para fazer parte de um grupo para combate à fome, no G20.

“A redução das emissões de CO2 (gás carbônico) é imperativa, mas não pode ser feita de forma unilateral. A Itália é importante fonte de investimento do Brasil. Desde o início, trabalhamos para atrair ainda mais investimento. As empresas são responsáveis por 150 empregos diretos aqui no Brasil”, disse Lula.

Ucrânia e Gaza

Lula lamentou os conflitos na Ucrânia e na Palestina e afirmou que abrir mão do diálogo e da democracia levam a “consequências nefastas”. Sergio Mattarella concordou com a posição do brasileiro, e afirmou que é necessário construir uma solução com dois estados na Faixa de Gaza para ajudar a conter a tensão na região.

Lula também se manifestou sobre a satisfação com a vitória de forças progressistas nas eleições do Reino Unido e da França, “fundamentais para a defesa da democracia e da justiça social contra as ameaças do extremismo".

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