Política

Caso Master: ministro de Lula diz ser "radicalmente contrário" a qualquer socorro ao BRB

Novo titular da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães defende investigação que "doa a quem doer"

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Hariane Bittencourt, Eduardo Gayer
16/04/2026, 15:36 • Atualizado em 16/04/2026, 15:48
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O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, em conversa com jornalistas no Palácio do Planalto | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (16) a jornalistas ser "radicalmente contrário" a qualquer tipo de socorro do governo federal ao Banco de Brasília (BRB).

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"Se esse assunto chegar, eu sou radicalmente contrário a socorrer o BRB", disse Guimarães durante café da manhã com a imprensa no Palácio do Planalto. "Essa questão do Banco Master, eu acho que, ao final, nós vamos saber quem são os responsáveis por tamanho absurdo que foi feito", completou.

O BRB, que tem como principal acionista o Governo do Distrito Federal (GDF), tentou comprar o Master em setembro de 2025, operação negada pelo Banco Central (BC). Dois meses depois, em novembro, a autarquia liquidou extrajudicialmente o banco de Daniel Vorcaro, investigado por suspeita de fraudes bilionárias no sistema financeiro.

Preso hoje, Paulo Henrique Costa é investigado por ter aceitado propina de Vorcaro em imóveis para aprovar aquisição de carteiras fraudulentas do Master pelo BRB. Os valores dos apartamentos de luxo chegam a R$ 146,5 milhões, segundo a PF.

Guimarães disse que "nunca imaginava que esse povo controlasse tanta coisa". "Ao final [da investigação], doa a quem doer, essa é a orientação do presidente Lula. Os responsáveis precisam e devem ser punidos", acrescentou.

A governadora do DF, Celina Leão (PP), disse no começo do mês que a rivalidade política com o presidente Lula atrapalha diálogo junto ao governo federal na busca por soluções de socorro ao BRB.

"Faltava um pouco de diálogo e é isso que eu estou tentando restabelecer. Fiz um apelo ao ministro [da Fazenda, Dario Durigan], até porque se a Caixa Econômica quisesse, ela já teria feito vários gestos. É preciso um olhar mais atencioso do governo federal ao BRB", afirmou, em entrevista ao SBT News.

"Tem uma grande influência [o calendário eleitoral]. Se fosse um partido ligado ao presidente [Lula], já teria feito vários acenos de socorro ao banco. Isso não foi feito em nenhum momento conosco."

Falando a jornalistas hoje de manhã, após a prisão de Henrique Costa, a governadora defendeu punição a envolvidos em irregularidades no caso Master/BRB e reconheceu, sem citar o antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), que o GDF "em alguns pontos, precisa mudar".

"As pessoas que fizeram algo, que penalizaram um banco que é uma instituição da cidade, realmente precisam ser punidas. Se o inquérito está chegando, se está rastreando dinheiro, se está chegando nessas pessoas, olha, eu sinto muito. Mas as pessoas têm de pagar por aquilo que fazem de errado", disse Leão.

A chefe do Executivo distrital disse que prezou pela discrição quando escândalo Master foi revelado e que não era consultada sobre medidas relacionadas ao BRB. "Eu soube ser vice-governadora. A gente sabe, vice-governadora não é questionada, perguntada pra absolutamente nenhuma decisão que o governador vai tomar", declarou.

"Mas sei ser governadora. Eu sei escolher meu time, sei retirar as pessoas que não estão produzindo. Sei realmente que a gestão, em alguns pontos, precisa mudar e é isso que estou fazendo", acrescentou.

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