Caso Master: ministro de Lula diz ser "radicalmente contrário" a qualquer socorro ao BRB
Novo titular da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães defende investigação que "doa a quem doer"



Hariane Bittencourt
Eduardo Gayer
O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (16) a jornalistas ser "radicalmente contrário" a qualquer tipo de socorro do governo federal ao Banco de Brasília (BRB).
Paulo Henrique Costa, ex-presidente da instituição, e o advogado Daniel Monteiro, ligado a Daniel Vorcaro foram presos nesta manhã, na quarta fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
"Se esse assunto chegar, eu sou radicalmente contrário a socorrer o BRB", disse Guimarães durante café da manhã com a imprensa no Palácio do Planalto. "Essa questão do Banco Master, eu acho que, ao final, nós vamos saber quem são os responsáveis por tamanho absurdo que foi feito", completou.
O BRB, que tem como principal acionista o Governo do Distrito Federal (GDF), tentou comprar o Master em setembro de 2025, operação negada pelo Banco Central (BC). Dois meses depois, em novembro, a autarquia liquidou extrajudicialmente o banco de Daniel Vorcaro, investigado por suspeita de fraudes bilionárias no sistema financeiro.
Preso hoje, Paulo Henrique Costa é investigado por ter aceitado propina de Vorcaro em imóveis para aprovar aquisição de carteiras fraudulentas do Master pelo BRB. Os valores dos apartamentos de luxo chegam a R$ 146,5 milhões, segundo a PF.
Guimarães disse que "nunca imaginava que esse povo controlasse tanta coisa". "Ao final [da investigação], doa a quem doer, essa é a orientação do presidente Lula. Os responsáveis precisam e devem ser punidos", acrescentou.
A governadora do DF, Celina Leão (PP), disse no começo do mês que a rivalidade política com o presidente Lula atrapalha diálogo junto ao governo federal na busca por soluções de socorro ao BRB.
"Faltava um pouco de diálogo e é isso que eu estou tentando restabelecer. Fiz um apelo ao ministro [da Fazenda, Dario Durigan], até porque se a Caixa Econômica quisesse, ela já teria feito vários gestos. É preciso um olhar mais atencioso do governo federal ao BRB", afirmou, em entrevista ao SBT News.
"Tem uma grande influência [o calendário eleitoral]. Se fosse um partido ligado ao presidente [Lula], já teria feito vários acenos de socorro ao banco. Isso não foi feito em nenhum momento conosco."
Falando a jornalistas hoje de manhã, após a prisão de Henrique Costa, a governadora defendeu punição a envolvidos em irregularidades no caso Master/BRB e reconheceu, sem citar o antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), que o GDF "em alguns pontos, precisa mudar".
"As pessoas que fizeram algo, que penalizaram um banco que é uma instituição da cidade, realmente precisam ser punidas. Se o inquérito está chegando, se está rastreando dinheiro, se está chegando nessas pessoas, olha, eu sinto muito. Mas as pessoas têm de pagar por aquilo que fazem de errado", disse Leão.
A chefe do Executivo distrital disse que prezou pela discrição quando escândalo Master foi revelado e que não era consultada sobre medidas relacionadas ao BRB. "Eu soube ser vice-governadora. A gente sabe, vice-governadora não é questionada, perguntada pra absolutamente nenhuma decisão que o governador vai tomar", declarou.
"Mas sei ser governadora. Eu sei escolher meu time, sei retirar as pessoas que não estão produzindo. Sei realmente que a gestão, em alguns pontos, precisa mudar e é isso que estou fazendo", acrescentou.








