“Trava tudo”: Vorcaro interrompeu propinas a ex-presidente do BRB após descobrir investigação, diz PF
Dono do Master pagou R$ 74,6 milhões a Paulo Henrique Costa ante R$ 146,5 milhões acordados previamente



Eduardo Gayer
Cézar Feitoza
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro interrompeu o pagamento de propinas a Paulo Henrique Costa, após descobrir que havia sido aberto um inquérito para apurar justamente o oferecimento de vantagens indevidas ao então presidente do Banco de Brasília (BRB), de acordo com as investigações da Polícia Federal.
Em 10 de maio de 2025, dez dias após o início do procedimento investigativo sigiloso pelo Ministério Público Federal, Vorcaro ordenou ao seu operador jurídico, Daniel Monteiro, que "travasse tudo". Ou seja, que não realizasse mais nenhum pagamento e nem prosseguisse com a formalização dos registros imobiliários então acordadas com Paulo Henrique Costa.
A investigação da PF aponta que as partes teriam combinado o pagamento de R$ 146,5 milhões em imóveis de luxo para viabilizar a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito fraudulentas do Master. A descoberta das apurações, porém, interrompeu as transferências no montante de R$ 74,6 milhões. Os imóveis eram comprados via empresas de fachada abastecidas com recursos de fundos da REAG.
De acordo com as investigações, ao receber a ordem de Vorcaro para “travar” os pagamentos, Daniel Monteiro informou que “obteria as escrituras e as manteria no escritório”. Para a PF, essa é uma prova de que o advogado atuaria como o chefe de um núcleo de ocultação e conservação informal dos títulos patrimoniais que seriam utilizados como propina para Paulo Henrique Costa.








