Política

Brasil devolve carta de Trump e prepara novas respostas à ofensiva dos EUA; saiba quais

Planalto classificou documento como inadequado e ofensivo; governo Lula evita escalada e estuda reação comercial e diplomática após 1º de agosto

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Murilo Fagundes
10/07/2025, 14:48 • Atualizado em 10/07/2025, 14:55
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Presidente dos EUA, Donald Trump | 09/06/2025/REUTERS/Evelyn Hockstein

Presidente dos EUA, Donald Trump | 09/06/2025/REUTERS/Evelyn Hockstein

O governo brasileiro devolveu, sem responder formalmente, a carta enviada por Donald Trump que vinculava o processo judicial contra Jair Bolsonaro (PL) a possíveis retaliações comerciais. A decisão foi tomada por considerar o conteúdo inaceitável do ponto de vista diplomático e institucional. Segundo fontes do governo Lula (PT), o gesto do presidente dos Estados Unidos rompeu com os padrões mínimos de respeito entre países soberanos, ao trazer um tom de ultimato e interferência direta em decisões do Poder Judiciário brasileiro.

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A carta foi entregue por canais diplomáticos e devolvida de forma discreta. Para o Planalto, o documento ultrapassou os limites do diálogo internacional ao condicionar relações comerciais a recuos jurídicos no caso de Bolsonaro. A avaliação interna é de que o texto representou uma tentativa explícita de ingerência e de politização das relações entre os dois países, o que exigiu uma resposta firme, mas equilibrada.

A nota oficial publicada pelo governo brasileiro foi aprovada pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e construída com o objetivo de preservar a institucionalidade. Embora tenha sido contundente, o texto evitou adotar o mesmo tom de Trump.

O governo brasileiro optou por um posicionamento que reafirma a soberania nacional e o respeito às instituições, mantendo o registro verbal, segundo avaliam fontes, compatível com o de um chefe de Estado.

A politização da relação bilateral, segundo essas fontes, se materializou na ameaça de aplicar tarifas em resposta ao andamento de processos judiciais no Brasil. A medida é vista como inédita no histórico recente da relação entre os países – nem mesmo durante o mandato anterior de Trump houve associação direta entre política e comércio nesse grau.

Apesar da gravidade do episódio, o governo brasileiro decidiu não reagir imediatamente. A orientação é aguardar o prazo anunciado pelos próprios americanos, que indicaram 1º de agosto como data para aplicação das tarifas. A estratégia do Planalto é usar o tempo a seu favor, evitando reações precipitadas.

Novas respostas

Técnicos já estudam, desde abril, formas de resposta que não prejudiquem a economia brasileira. Estão em análise medidas pontuais, como ações na área de propriedade intelectual, tarifas seletivas e ajustes diplomáticos.

A convocação da embaixadora brasileira em Washington está entre as possibilidades, mas foi poupada neste momento. O governo acionou duas vezes o encarregado de negócios norte-americano, numa sinalização de descontentamento, mas mantendo margem para desdobramentos futuros.

Também está em curso uma reavaliação da dependência brasileira em relação ao mercado americano. A expectativa é acelerar acordos no âmbito do Mercosul e ampliar as relações com países como Vietnã, Japão e México – que, segundo o governo, já identificaram riscos semelhantes de concentração de parcerias.

Internamente, o Planalto avalia que a nota teve efeito positivo nas redes sociais, desestabilizando o discurso bolsonarista. Ainda assim, o governo considera que será necessário calibrar diariamente a comunicação e as ações diplomáticas, diante da possibilidade de novas movimentações políticas da oposição.

O episódio também reforçou a importância, para o presidente Lula, da próxima reunião de democracias em Santiago, no Chile, marcada para o dia 21 de julho. O encontro será usado como plataforma para reafirmar o compromisso brasileiro com a soberania institucional e com a defesa do sistema democrático diante de ameaças externas.

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