Política

Lula x Milei: governo avalia "timing" para pedir explicações

Motivo é a suspeita de que o país vizinho tenha colaborado na fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos

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Murilo Fagundes, André de Sena
Lula e Milei | Foto: Reprodução/REUTERS/Mariana Nedelcu

Lula e Milei | Foto: Reprodução/REUTERS/Mariana Nedelcu

O Brasil ainda discute se irá ou não pedir explicações à Argentina sobre o envolvimento do país na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. Segundo interlocutores, a gestão petista avalia o "timing" para tomar essa medida por conta do receio de amplificar as polêmicas entre Lula e o presidente argentino, Javier Milei, que já trocaram farpas publicamente. A informação foi apurada pelo SBT News junto a integrantes do governo brasileiro.

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Caso o Brasil decida fazer pressão pelas explicações, há dois caminhos possíveis. Um deles é chamar a encarregada de negócios argentina no Brasil, María Cortés, ao Itamaraty — gesto que é considerado uma reprimenta do ponto de vista diplomático.

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A representação da Argentina em Brasília é comandada por ela desde agosto, quando o embaixador Guillermo Daniel Raimondi retornou a Buenos Aires após o governo brasileiro rebaixar as relações diplomáticas entre os dois países.

A outra opção estudada pela gestão Lula é cobrar esclarecimentos diretamente com o ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno. Apesar disso, uma visita do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a Buenos Aires para tratar desta questão está descartada.

Apesar dessas discussões, Lula não deve se envolver diretamente nessas conversas. A princípio, qualquer resposta a Milei será via ministérios do governo. O presidente brasileiro não pretende falar diretamente contra o argentino.

A ideia, segundo as fontes do SBT News, é que o petista continue a ironizar e rebaixar o patamar de Milei como ele fez em julho, após o presidente argentino viajar ao Brasil para participar da convenção nacional do PL em São Paulo. "Quem é esse cara?", perguntou Lula, em tom de deboche.

Flávio Bolsonaro e sua família atravessaram a fronteira entre Brasil e Argentina nesta quarta-feira (28) pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de Foz do Iguaçu. Em seguida, ele se deslocou até o aeroporto internacional da cidade de Puerto Iguazú, onde embarcou em um jato particular que fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e depois seguiu para Miami, nos Estados Unidos.

O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de três investigações da Polícia Federal. Uma delas envolve irregularidades nos pagamentos feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Outra apura suspeitas lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado e empresário Willer Tomaz.

Há ainda uma terceira investigação já finalizada em que a Polícia Federal concluiu que Flávio praticou o crime de calúnia contra Lula. Em uma postagem feita em janeiro de 2026, o senador sugeriu que o presidente brasileiro seria delatado por Nicolás Maduro, que havia sido capturado pelos Estados Unidos, por se envolver com tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e suporte a terroristas e ditaduras.

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