Política

Flávio ficará isolado nos EUA, diz ex-embaixador

Segundo o diplomata Rubens Antonio Barbosa, senador deve perder sua influência política no Brasil e país norte-americano dificilmente aplicará sanções

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Maria Fernanda Barros
Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta (28) | REUTERS/Eva Marie Uzcategui

Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta (28) | REUTERS/Eva Marie Uzcategui

A carta golpista de Flávio Bolsonaro, divulgada na quarta (28), não deve resultar em grandes tumultos no Brasil, avalia o ex-embaixador Rubens Barbosa. Ainda que o senador tenha garantido que liderará a oposição a partir dos Estados Unidos, o diplomata prevê que o ex-candidato à presidência, isolado, deve perder sua influência na política interna brasileira e que o Brasil não deve sofrer com sanções generalizadas.

Segundo Barbosa, a maior probabilidade é que, caso ocorra alguma punição, ela não venha da Casa Branca, mas sim do secretário de Estado, Marco Rubio, e seja algo mais isolado e individual.

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"Não acredito que venham sanções contra o Brasil. A política externa é de competência da Casa Branca, e o Trump tem posição moderada de não querer intervir nas questões internas brasileiras, então, provavelmente não irá tomar iniciativa. O Marco Rubio pode promover alguma medida contra personalidades aqui no Brasil, por conta do Flávio Bolsonaro, mas será uma coisa isolada", opina o embaixador.

Nesta sexta (30) e sábado (31), acontecerá a próxima reunião ministerial do G20, em Atlanta, nos EUA, cujo anfitrião será Rubio. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participará do encontro. Barbosa defende que o governo brasileiro adote uma posição "pragmática" e não repercuta os atritos recentes. Ademais, a prioridade do encontro são assuntos como o combate ao narcoterrorismo e a questão dos minérios estratégicos.

Em relação ao governo argentino, que publicou nota admitindo ter dado apoio logístico à fuga de Flávio Bolsonaro, o embaixador também defende que o Brasil não reaja.

"Isso só faria aumentar a tensão entre os dois países. Temos que defender os interesses do nosso país acima de questões ideológicas. Acho que a melhor posição seria uma atitude pragmática e realista, não passar recibo para não aumentar a crise", avalia.

Além disso, o Brasil está longe de estar no centro das preocupações da gestão Trump neste momento, apesar da alta repercussão dos fatos aqui no país, diz Barbosa. Em plenas eleições de meio mandato, o presidente republicano arrisca perder o controle da Câmara e do Senado.

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