Política

“Bolsonaro não está morto politicamente”, avalia especialista

Para o professor de Ciência Política André Rosa ato político do domingo abrirá caminho para o herdeiro do capital político do ex-presidente

I
Iuri Guerrero
23/02/2024, 00:37 • Atualizado em 23/02/2024, 00:37
compartilhar
“Bolsonaro não está morto politicamente”, avalia especialista

O ex-presidente Jair Bolsonaro, com o apoio do pastor Silas Malafaia, promoverá manifestação na avenida Paulista em São Paulo no próximo domingo (25) para reanimar seu apoio popular frente às denúncias judiciais. Em entrevista ao Poder Expresso, o professor de Ciência Política, André Rosa, analisou as principais estratégias políticas de Bolsonaro ao realizar evento.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

“Está ato na Paulista mostra que o ex-presidente não está morto politicamente apesar de estar inelegível. E esse impedimento pode cair por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse ato mostra a força que ele ainda tem em meio a esse turbilhão de denúncias contra ele. Apesar do número de governadores ter menor expressão, o número de deputados é expressivo. E são eles que podem dificultar a vida do atual governo”, afirmou o professor.

Apenas 3 dos 13 governadores eleitos com apoio de Bolsonaro confirmaram presença na manifestação. A lista de nomes previstos conta, também, segundo o advogado Fábio Wajngarten, com mais de cem deputados e de 10 a 15 senadores.

“Esse ato não necessariamente reverbera numa possível sucessão presidencial, mas sim para a transferência de votos para a própria Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. E Lula tem visto essas movimentações e tentando trazer o governador para o lado dele. Também tem o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Mas eu não vejo Bolsonaro como presidente novamente e sim com grande poder político para transferir votos”, avaliou André Rosa.

Ainda de acordo com o professor de Ciência Política, o caminho mais curto para esses votos seria na direção de Michelle. “Na campanha de Bolsonaro, ela fez um trabalho muito forte junto aos evangélicos. Ela já tem uma grande parcela do eleitorado de Bolsonaro. Mas no meu entendimento, acho que ele prefere lançar o próprio Tarcísio. A escolha final dependerá das pesquisas”, declarou Rosa.

Apesar da incerteza sobre novo nome que pode herdar uma parte do eleitorado, o cientista político não tem dúvidas que ainda é forte a força política de Bolsonaro. “Afirmo com toda certeza que o candidato que ele apoiar vai para segundo turno. O eleitorado brasileiro é bem dividido, metade para a direita e a outra para a esquerda. Eu tenho dúvida se ele leva Michelle para segundo turno, mas o Tarcísio e o Zema têm grandes possibilidades”, afirmou André Rosa.

Na entrevista ao Poder Expresso, o professor também avaliou que esse evento do próximo domingo faz parte de uma estratégia de se colocar como vítima. “Esse ato não é visando reverter nada juridicamente, é uma ato político. O Bolsonaro já sabendo que o caldo vai entornar, tenta pegar politicamente esse momento para maximizar seu capital político com vitimização de um processo de perseguição política. Toda essa movimentação mostra que Bolsonaro tem buscado um ganho de capital político contra todas essas denúncias. E isso pode mobilizar o eleitorado dele”, finalizou o professor de Ciência Política André Rosa.

Confira a entrevista:

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Projeto ambiental mira recuperar vegetação nativa no RJ

Projeto ambiental mira recuperar vegetação nativa no RJ

Imagem da notícia: Obesidade já afeta 7 milhões de crianças brasileiras

Obesidade já afeta 7 milhões de crianças brasileiras

Imagem da notícia: Empresário perde caminhonete por dívida que diz desconhecer

Empresário perde caminhonete por dívida que diz desconhecer

Imagem da notícia: "Embala neném": Bebeto relembra jogo contra Holanda em 1994

"Embala neném": Bebeto relembra jogo contra Holanda em 1994

Imagem da notícia: Projeto ambiental mira recuperar vegetação nativa no RJ

Projeto ambiental mira recuperar vegetação nativa no RJ

Imagem da notícia: Obesidade já afeta 7 milhões de crianças brasileiras

Obesidade já afeta 7 milhões de crianças brasileiras

Imagem da notícia: Empresário perde caminhonete por dívida que diz desconhecer

Empresário perde caminhonete por dívida que diz desconhecer

Imagem da notícia: "Embala neném": Bebeto relembra jogo contra Holanda em 1994

"Embala neném": Bebeto relembra jogo contra Holanda em 1994

Últimas notícias

Empresário vive experiência de ser jogador do PSG por um dia

Gaúcho participou de torneio promovido pela Accor no Parc des Princes e dividiu o gramado com ex-jogadores históricos do clube francês.

Governo buscará novos mercados se EUA impuserem tarifas

Ministro afirma que Planalto aposta em negociação, mas já avalia alternativas para proteger exportações e empresas brasileiras

AtlasIntel: 53,1% aprovam PCC e CV como terroristas

Pesquisa mostra que 55,9% dos entrevistados defendem que Brasil adote mesma designação dos EUA, porém 47,7% vê risco à soberania e espaço para intervenção

Israel e Líbano anunciam cessar-fogo mediado pelos EUA

Acordo prevê retirada do Hezbollah do sul do Líbano, reforço das Forças Armadas libanesas e retomada das negociações de paz

Julgamento de Henry Borel chega ao 10º dia

Debates entre acusação e defesas marcam etapa final; jurados devem votar e sentença pode sair ainda nesta madrugada

PL, PT e União terão maiores fundos para as eleições

Partidos lideram em verbas no Fundão Eleitoral divulgado nesta quarta (3) pelo TSE; total é de R$ 4,9 bilhões