Análise: Eduardo Bolsonaro atrapalhou o irmão na gestão de crise por pedido de dinheiro a Vorcaro
Monitoramento digital mostra que desgaste na pré-campanha de Flávio aumentou com as várias explicações do ex-deputado sobre envolvimento com ex-dono do Master


Nathalia Fruet
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentou o maior desgaste nas plataformas digitais e grupos públicos de aplicativos de mensagem entre os dias 14 e 15 deste mês, na esteira de posicionamentos públicos de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a respeito do recebimento de dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
É o que mostra levantamento da Palver, empresa de monitoramento e análise de redes sociais e plataformas de mensagens.
Nesses dois dias, as menções trataram principalmente das versões dadas por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, para o recebimento de dinheiro de Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a campanha eleitoral de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o monitoramento da Palver, na quarta-feira (13), data da divulgação dos áudios das conversas de Flávio com Vorcaro pelo site The Intercept, o senador conseguiu estancar as reações negativas nas plataformas logo depois que gravou um vídeo admitindo que conversou com Vorcaro, mas afirmando que não havia dinheiro público na negociação.
No entanto, depois que Eduardo Bolsonaro passou a apresentar versões conflitantes para o caso e após o The Intercept mostrar possíveis vínculos do ex-deputado com o filme e com o dinheiro pago por Vorcaro, as menções negativas sobre Flávio cresceram 14% e, na análise geral, ultrapassaram os 80%.
Primeiro, o ex-deputado negou que o filme "Dark Horse tivesse patrocínio de Vorcaro, mesmo com o irmão admitindo que pediu ajuda para financiar o longa.
Depois que o The Intercept mostrou que ele, que vive uma espécie de autoexílio nos Estados Unidos, havia assinado documento como produtor-executivo do filme e o contrato estabelecia poderes sobre a gestão financeira do projeto, cresceu nas plataformas a especulação de que o dinheiro destinado ao filme poderia ter bancado sua vida fora do Brasil.
Conforme levantamento da Palver, 75% das mensagens foram desfavoráveis à versão apresentada por Eduardo e apenas 25% foram favoráveis. As acusações de corrupção e desvio de verbas e reportagens que dizem que a Polícia Federal investiga possível lavagem de dinheiro nas transferências de recursos para o filme dominaram a discussão nas redes sociais, segundo o monitoramento.
Os dados levantados nas plataformas vão ao encontro do incômodo de aliados de Flávio Bolsonaro desde que ele confirmou que pediu dinheiro a Vorcaro. Eles reclamam que foram pegos de surpresa e que as várias explicações disparadas pela família para o imbróglio deixam os parlamentares com poucos argumentos para fazer a defesa do pré-candidato do PL na disputa à Presidência da República.









